Internacional

"Tudo pode acontecer" nas eleições na República Democrática do Congo

José Arieira de Carvalho é missionário comboniano na república Democrática do Congo e não sabe o que esperar dos próximos dias.

O missionário comboniano, José Arieira de Carvalho, de nacionalidade portuguesa, vive na República Democrática do Congo e não sabe o que esperar dos próximos dias. Vive em Kisangani, uma das maiores cidades do país, no nordeste do país e por lá, por enquanto, o ambiente é calmo, mas a notícia do adiamento das eleições, em alguma zonas - sobretudo junto à fronteira com o Ruanda e o Uganda - pode alterar o calendário eleitora, de um momento para o outro, em todo o território. "As pessoas estão muito descontentes, por isso ainda é tudo muito incerto".

Esta semana, as autoridades congolesas anunciaram o adiamento das eleições nestas regiões, por causa de um surto de ébola e de conflitos armados. "Sim existe um surto em algumas zonas do país... e há uns grupos rebeldes, que ninguém sabem de onde vêm, que criam instabilidade", acrescenta.

Por causa da instabilidade política e social, a embaixada de Portugal em Kinshasa, capital do Congo, fez um apelo à comunidade portuguesa para adotar medidas de cautela, devido às eleições marcadas para o próximo domingo. José Arieira de Carvalho diz que não foi contactado, mas também não pretende alterar a sua rotina, por confiar que na cidade onde vive nada vai acontecer.

As eleições vão ditar o sucessor de Joseph Kabila, que sucedeu ao pai Laurent, na presidência da República Democrática do Congo, e que está impedido de se recandidatar por já ter dois mandatos cumpridos. A saída já devia ter acontecido em 2016, mas dois anos depois, continua no poder e o país, politicamente, é tudo menos uma democracia, como refere o missionário comboniano. "Aqui não há democracia. É difícil. As coisas não são claras. Este é um país à deriva".

Apesar disto, José Arieira de Carvalho diz que quer continuar no Congo, porque a sua missão é impermeável ao clima político. "Nós estamos aqui pelas pessoas. Se o povo sofre, nós sofremos também".

  COMENTÁRIOS