Robert Sherman

Uma bandeira antiga e o nascimento de um "motard"

Robert Sherman apreendeu a andar de mota quando esteve em Portugal para fazer diplomacia. E continua a ser "motard" quando passa por Portugal.

Enquanto foi embaixador dos Estados Unidos da América, em Portugal, Robert Sherman decidiu aprender a andar de mota, para poder promover as vantagens da TTIP (Parceria Transatlântica para o Comercio e Investimento).

No livro "10 milhões e Um" (Actual), que vai ser publicado neste mês de novembro, Robert Sherman detalha todo o processo que criou uma nova forma de diplomacia.

No Almoço TSF, o antigo embaixador americano justificou esta adesão ao mundo "motard", como uma forma de "fazer o que as pessoas esperam de um americano. Estava a fazer muito barulho".

Depois de deixar a embaixada, no início de 2017, Robert Sherman manteve ligações profissionais e pessoais a Portugal, e é o único sítio onde continua a andar de mota.

"A minha mulher acha que a minha segurança é maior em Portugal que nos Estados Unidos", explicou Robert Sherman, que esboçou um sorriso, antes de contar que em abril deste ano, com a mulher, integrou "um cortejo de mais de 300 motas, para apoiar as vítimas de violência doméstica.

Angariamos dinheiro para a APAV, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima. Estivemos ao lado de 300 motards, tatuados e com blusões de cabedal, e todos com a inscrição "dizemos não à violência doméstica". Foi um belo espetáculo.

Em setembro, os Harley Riders de Setúbal convidaram-me para um passeio a subir e a descer a Serra da Arrábida. Foi um belo dia, sempre com vistas maravilhosas para o mar. Portanto, continuo a passear de mota, aqui, em Portugal".

A bandeira

Enquanto foi embaixador em Portugal, Robert Sherman foi sempre acompanhado, no gabinete da embaixada, por uma bandeira muito especial. É grande, tem 48 estrelas (e não 50, como na generalidade das bandeiras dos Estados Unidos) e foi uma herança do pai de Robert Sherman.

"Esta bandeira foi trazida pelo meu pai, que combateu, em Itália e no norte de África, na Segunda Guerra Mundial. Na altura, os Estados Unidos só tinham 48 estados. O Havai e o Alasca, ainda não faziam parte. A bandeira ficou guardada num armário, e não teve outro significado, durante muitos anos."

Quando foi nomeado, por Barack Obama, embaixador dos Estados Unidos da América em Portugal, Robert Sherman foi ao armário e decidiu dar uso à velha bandeira.

"É preciso compreender que o meu pai foi imigrante nos Estados Unidos, nascido na Ucrânia, desistiu de tudo para lutar pela liberdade e pela segurança da Europa e dos Estados Unidos. Para mim, aquela bandeira representa a ligação entre a Europa e os Estados Unidos."

No Almoço TSF, contou que os Marines que garantiam a segurança da embaixada e do embaixador, em Lisboa, pediram para hastear a bandeira, formalmente, pelo menos uma vez, antes de ser emoldurada".

"Disse-lhes que sim, e eles subiram a bandeira, todos fardados. Nessa altura, desejei que o meu pai estivesse vivo, para saber da homenagem que lhe foi feita pelos marines, que agora estavam também ao serviço do filho. Isso é algo que passarei aos meus filhos e aos meus netos. É mais um exemplo das coisas boas e significativas que aconteceram comigo em Portugal".

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