Já há água, eletricidade e estradas abertas. Os primeiros passos do renascimento da Beira

Começam a ver-se pequenos avanços na Beira, em Moçambique, que inicia o lento caminho da reconstrução, após a passagem do ciclone Idai, que matou pelo menos 446 pessoas e destruiu cerca de 90% dos edifícios da cidade.

Veem-se inúmeros rolos gigantescos espalhados pela cidade, junto a postes de eletricidade dobrados ou caídos. A reconstrução das ligações elétricas está a ser feita. Só agora começa a ser restabelecida a energia.

Desde este domingo voltou a haver água nas torneiras, depois de ter sido reconstruída parte da estação de tratamento que distribuía água à cidade e que fora destruída pela passagem do ciclone Idai.

Ao fim de todo este tempo, assiste-se ao gradual restabelecimento dos serviços essenciais e até a internet já começa a dar sinais pela cidade - o que está a ser motivo de grande festejo para os habitantes.

A Beira já não está isolada. As estradas que ligam a cidade a Maputo e ao restante território moçambicano foram reabertas este domingo. Espera-se que o restabelecimento das ligações rodoviárias facilite a entrada de ajuda humanitária na zona. Também o nível das águas começa agora a descer, o que permitirá um resgate mais rápido das pessoas que ainda não foram assistidas.

Apesar de a recuperação na Beira começar a acontecer à frente dos nossos olhos, há outras localidades que permanecem isoladas.

É o caso de Búzi, que fica a cerca de uma centena de quilómetros da cidade. A vila permanece inundada, rodeada de água por todos os lados. Mas, mesmo quando a ajuda chega, há habitantes que se recusam a deixar a cidade, uma vez que é ali que têm tudo o que lhes resta.

No centro da vila concentram-se pessoas de todas as imediações, de zonas que ficaram completamente debaixo de água, e que conseguiram escapar subindo para o cimo de árvores e telhados. Quem sobreviveu conseguiu, com sorte, fazer a viagem de canoa ou, em alguns casos, mesmo a pé, com água pelo pescoço. Continuam sem ter praticamente nada para comer e a beber água do rio.

Na chegada aos centros de acolhimento, o cenário também está longe de ser positivo. Continuam a escassear os alimentos, medicamentos e há muitas pessoas que, não vendo resposta para as suas necessidades, decidem voltar para Búzi, mesmo não sabendo o que lá vão encontrar.

Segundo o balanço mais recente, a passagem do ciclone Idai por Moçambique, Maláui e Zimbabué provocou a morte a pelo menos 761 pessoas, 446 das quais em Moçambique.

*com Ana Cristina Henriques e Rita Carvalho Pereira

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