Rússia decreta prisão preventiva para marinheiro ucraniano. Guterres pede "contenção"

Prisão termina a 25 de janeiro. Restantes marinheiros devem ver ser-lhes aplicada a mesma pena.

A justiça russa decretou esta terça-feira a pena de prisão preventiva, até 25 de janeiro, para o primeiro dos 24 marinheiros apresados no domingo no Mar Negro por guardas-costeiros russos a bordo de três navios da Armada ucraniana.

Victor Varemez foi indicado no âmbito do artigo 322 do Código Penal russo que se refere a uma premeditada violação da fronteira por parte de um grupo de pessoas com uso de violência ou ameaça em utilizá-la, informaram os 'media' locais.

O tribunal de Simferopol, capital da península da Crimeia, anexada pela Rússia em 2014, deve decretar ainda durante esta terça-feira uma medida similar aos 12 dos tripulantes dos três navios apresados, "Berdiansk", "Nikopol" e "Yani Kapu".

De acordo com a Defensora do Povo (procuradora) da Crimeia, Liudmila Lubina, nove outros marinheiros devem comparecer na quarta-feira no mesmo tribunal, enquanto os três feridos, que ainda se encontram hospitalizados em Kerch, aguardam a sua vez de comparecer perante o tribunal.

Segundo as autoridades, os marinheiros já foram interrogados na península da Crimeia pelas forças de segurança, que os acusam de violação das águas territoriais russas.

Segundo fontes ucranianas citadas pela agência noticiosa Efe, os indicados vão ser representados por um advogado que já defendeu ativistas tártaros acusados de extremismo por negarem reconhecer a anexação russa da Crimeia.

Guterres pede "contenção"

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, apelou esta terça-feira à Rússia e à Ucrânia para que tenham "contenção máxima" e evitem uma escalada do conflito entre ambos os países, após os confrontos deste domingo no Mar Negro.

Através do seu porta-voz, Guterres revelou estar "muito preocupado" com o incidente junto à península da Crimeia, junto do estreito de Kerch e urgiu os dois Estados a tomarem ações para conter o incidente e reduzir a tensão.

O Serviço Federal de Segurança russo (FSB, antigo KGB) acusa três embarcações ucranianas de violarem as suas águas territoriais perto das costas da Crimeia, desobedecer às ordens dos guarda-costeiros russos para interromperem o seu trajeto e apontarem as suas armas em direção às lanchas russas.

O FSB refere ainda que agentes dos Serviços de Segurança da Ucrânia coordenaram a "provocação" em alto mar, um dos quais, o tenente Andrei Drache, foi detido a bordo da lancha artilhada "Nikopol".

O próprio Presidente russo, Vladimir Putin, acusou hoje a Ucrânia de "grosseira violação" do direito internacional por parte das embarcações ucranianas, e assegurou que os guarda-costeiros russos estão dispostos a "oferecer explicações adicionais" sobre o ocorrido na zona do estreito de Kerch, que une os mares Negro e Azov.

Políticos ucranianos admitiram que os marinheiros poderão ser condenados a vários anos de prisão por se tratar de um delito "grave", mas também admitiram que o seu destino dependerá de eventuais consultas "ao mais alto nível" entre os presidentes russo e ucraniano, Petro Poreshenko, que poderão optar por uma troca de prisioneiros.

A confrontação entre embarcações da guarda-costeira russa e navios ucranianos ocorreu no Mar Negro no final da tarde de domingo, quando estes últimos tentavam penetrar no estreito de Kerch e entrar no Mar de Azov, crucial para as exportações de cereais ou de aço produzidos no leste da Ucrânia.

Segundo Kiev, os incidentes provocaram seis feridos, dos quais três foram hospitalizados.

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