Krakatoa. O vulcão "brutal" que causa tsunamis silenciosos e pode ser ainda "mais devastador"

Renascer do Krakatoa é preocupante. Um vulcão que no século XIX causou um tsunami de 40 metros que levou corpos de um lado ao outro do Oceano Índico.

Miguel Miranda, geofísico e presidente do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), admite que o que está a acontecer por estes dias na Indonésia, entre as ilhas de Java e Sumatra, pode ter consequências "devastadoras" e ainda mais graves do que já teve.

Em declarações à TSF, o geofísico com vários trabalhos sobre vulcões e tremores de terra começa por explicar a história do vulcão que durante a noite causou um tsunami que já é certo que matou centenas de pessoas.

Famoso pela sua violência, a última grande erupção do Krakatoa foi em 1883 gerando "um tsunami com 40 metros de altura que matou mais de trinta mil pessoas".

Miguel Miranda recorda que "foram destruídos navios de mar alto com corpos de marinheiros a irem parar tão longe como Zanzibar", no outro lado do Oceano Índico, na costa africana.

O renascer de um vulcão gigante

"A energia deste sistema vulcânico é brutal e no fim do século XIX a parte aérea do antigo vulcão Krakatoa explodiu, existindo agora no mesmo local um outro vulcão cujo nome em indonésia significa 'O Filho do Krakatoa' [Anak Krakatau] que cresce à velocidade de cinco metros por ano, reconstruindo um enorme aparelho vulcânico o que significa a um risco muito elevado".

Admitindo que o que está a acontecer na Indonésia é preocupante, o geofísico sublinha que não estamos a falar de sismos, existindo "condições para colapsos de parte do aparelho vulcânico que dão origem a ondas de mar violentas que não terão o tamanho do que aconteceu no século XIX, mas que podem ter efeitos locais devastadores".

"São tsunamis silenciosos"

Com vários estudos publicados sobre vulcões, tremores de terra e vulcões, Miguel Miranda faz questão de explicar que não estamos perante sismos mas perante um vulcão submarino que causa tsunamis, algo que escapa completamente aos sistemas de alerta de tsunamis instalados por todo o mundo.

"Podemos ter mais e maiores tsunamis, mas são tsunamis silenciosos que aparecem quase sem aviso porque não há tecnologia para monitorizar vulcões submarinos", conclui o especialista em vulcões.

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