Marcelo emocionado com "segunda pátria". Ajuda portuguesa de partida para Moçambique

Avião C-130 da Força Aérea deve chegar à Beira à hora de almoço. Nos próximos dias deverá seguir mais ajuda portuguesa.

Foi com alguma emoção e enviando "dois abraços" que Marcelo Rebelo de Sousa se preparou para ver partir, esta noite, o avião C-130 da Força Aérea portuguesa que tem como destino a cidade da Beira, em Moçambique.

O C-130, com "missão prioritária de busca, salvamento e resgate de pessoas em perigo, aproveitando as vias fluviais", terá como primeiro destino o Gana, país onde irá reabastecer. Daí, parte para São Tomé e Príncipe, onde fará escala para descanso dos militares. Depois, parte finalmente para a cidade da Beira, onde deve chegar esta sexta-feira, por volta da hora de almoço.

Marcelo conversou com Nyusi

No aeroporto, Marcelo Rebelo de Sousa - que já tinha estado em contacto com o presidente moçambicano - disse aos jornalistas que sentia que o seu homólogo continua a "viver intensamente uma situação que é difícil".

No que diz respeito às regiões afetadas, o Presidente da República explica que Manica e Tete estão com perspetivas diferentes da de Sofala, que "já está com o pensamento virado para a reconstrução."

Nos próximos dias, lembra Marcelo Rebelo de Sousa, haverá ainda "muito a apurar e a esperar", mas Filipe Nyusi já transmitiu ao homólogo português uma atitude de determinação, pensamento no futuro e também de agradecimento pelo apoio português. Em suma, e comparando com chamadas anteriores, Marcelo achou-o "com um tónus mais otimista, francamente mais otimista".

Sobre os 30 portugueses "com problemas de comunicação", o Presidente da República lembra que há "dois problemas graves: o de comunicação e o de energia."

Mais reforços portugueses

Já esta quinta-feira parte também uma outra legião, que levará consigo mais meios para reforçar a missão portuguesa em Moçambique. O ministro da Defesa explica que, no segundo avião, seguirá material e pessoal que vai passar por uma triagem feita pela Proteção Civil.

"Há um conjunto de manifestações de solidariedade por parte da sociedade civil portuguesa, de ONGs e também por parte de muitos ministérios. Amanhã [quinta-feira], a Autoridade Nacional de Proteção Civil terá a responsabilidade de fazer a triagem de material e pessoal que seguirá no segundo avião. Se for caso disso, seguirá mais material e pessoal por outras vias", explicou João Gomes Cravinho.

Além destes reforços, partirão também, segundo confirmou o ministro da Defesa, especialistas do Instituto de Medicina Legal, a pedido das autoridades moçambicanas.

"Infelizmente estamos a falar de pessoas e equipamento para ajudar a identificar cadáveres e, portanto, a primeira urgência tem de ser o envio de pessoas que podem ajudar a resgatar pessoas em vida. Assim, seguirá amanhã o equipamento do Instituto de Medicina Legal e o pessoal habilitado para fazer as identificações necessárias", explicou o ministro da Defesa.

A pairar está ainda a ameaça das barragens em Moçambique e no Zimbabué, que poderão fazer descargas a qualquer momento. Questionado sobre essa urgência, Marcelo Rebelo de Sousa explica que o presidente moçambicano lhe disse que segue esta quinta-feira para Cahora Bassa, onde se situa uma das maiores barragens do país e que está também em contacto com as autoridades do Zimbabué.

A emoção de Marcelo

Sobre a emoção, que não quis esconder, o Presidente da República explica - pedindo que se trate esta expressão "com alguma generosidade" - que Moçambique é a sua "segunda pátria".

"Eu, em adolescente, conheci bem Moçambique. É um conhecimento muito antigo, muito antigo, muito antigo. Andei por aquelas terras, sei exatamente do que se trata. Quando se olha e se vê a Beira na televisão, ou a região de Sofala, tenho vivo o que é, de repente, uma área riquíssima em termos de produção agrícola e perspetivas de futuro conhecer uma devastação terrível", lamentou.

Questionado sobre se pondera ir até Moçambique, Marcelo Rebelo de Sousa afastou a hipótese, reforçando que "o presidente Nuysi agora, o que dispensa, são problemas adicionais como a presença de um chefe de Estado em território moçambicano".

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