Egipto

Exército egípcio dissolve o Parlamento e suspende a Constituição

O Exército egípcio anunciou este domingo a dissolução do Parlamento, a suspensão da Constituição e definiu um período de transição de seis meses. Os manifestantes permanecem na rua.

Nesse semestre, um comité formado pelo conselho militar vai emendar alguns artigos e também para definir as regras para um referendo popular sobre a nova Constituição.

O Exército deixa a garantia de que o conselho militar vai governar o país durante seis meses ou até que esteja concluído o processo de eleições para o novo Parlamento e para a Presidência da República.

No quinto ponto do comunicado - o quinto desde que o exército assumiu o poder - informa-se que o chefe do conselho vai representar o Egipto no estrangeiro.

No documento, os militares asseguram que o primeiro-ministro, nomeado ainda por Mubarack, vai manter-se em funções até à formação de um novo governo.

Os militares fazem questão de deixar por escrito o compromisso de assegurar eleições no país e também a garantia de implementar e respeitar os tratados internacionais.

Antes, em conferência de imprensa, o primeiro-ministro, Ahmed Shafiq, garantiu que a segurança é a prioridade do governo, prometeu combater a corrupção e devolver às pessoas os seus direitos.

Estas declarações surgem depois de um manhã marcada por alguma tensão no Cairo. Ouviram-se tiros junto ao Ministério do Interior e houve escaramuças entre soldados e manifestantes.

Apesar dos apelos do Exército para que as pessoas saiam da Praça Tahrir e facilitem a circulação de veículos naquela zona, alguns manifestantes prometem não arredar pé até que sejam implementadas reformas no país.

O gabinete de Ahmed Shafic foi formado alguns dias depois do início das manifestações que levaram à queda do presidente Hosni Mubarak e está encarregue da gestão dos assuntos correntes.