Moçambique: Uma luta política e militar numa democracia "desequilibrada"

Marcelo Rebelo de Sousa chega a um país que parece estar em guerra, mas onde não se sabe bem o que se passa nas ricas regiões do Centro.

A Democracia de Moçambique tem vários problemas. O aparelho do Estado é dominado por um partido e a real intensidade do conflito militar com a Renamo é uma incógnita a que ninguém parece conseguir dar resposta. A análise anterior é de Edalina Sanches que recentemente acabou uma tese de doutoramento onde avaliou a democracia no país.

A investigadora do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, que recebeu o prémio de 2016 para melhor tese de doutoramento na área da Ciência Política em Portugal, explica que Moçambique é, de facto, uma "democracia eleitoral", ou seja, tem eleições regulares apesar de, por vezes, a forma como decorrem ser contestada pela oposição.

O problema é tudo o resto que ainda não existe no país, nomeadamente a liberdade de imprensa e um Estado que é, claramente, dominado pelo partido maioritário.

O jornalista Nuno Guedes resume a conversa com Edalina Sanches, especialista em política moçambicana.

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"Ter o cartão da Frelimo parece ser fundamental para chegar a funcionário público ou ganhar uma obra pública", recorda a especialista, que acrescenta que o partido está no centro e tudo o resto na periferia da distribuição de poder político ou económico".

Edalina Sanches explica que é este desequilíbrio de poder que está na origem do conflito. A Renamo quer pelo menos dominar as zonas do país, no Centro, onde tem mais apoio e que são, também as províncias mais ricas e com mais recursos naturais.

A investigadora diz contudo que há muita falta de informação, pelo que é impossível saber o que se passa no Centro de Moçambique, bem como a intensidade do conflito e a capacidade militar da Renamo.

Uma visão partilhada por Paulo Franco, um português que vive há três anos em Maputo e que explica que quem reside na capital dificilmente percebe o que acontece a Norte. "A informação parece ficar a meio caminho e ninguém sabe quem fala verdade".

Paulo Franco explica as dúvidas que existem em Maputo e a falta de informação sobre o conflito militar a Norte.

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