Novo relatório da ONU: a Coreia do Norte está a esconder o armamento nuclear

A três semanas da nova cimeira entre Donald Trump e Kim Jong Un, Pyongyang continua a fazer jogo duplo. O regime está a esconder todo o material nuclear e a vender armamento.

As Nações Unidas preparam-se para divulgar um relatório em que desmentem a versão otimista de Donald Trump. O Presidente norte-americano defende que a Coreia do Norte tem respeitado os compromissos assumidos em Singapura. Um diplomata que integra o Conselho de Segurança, e que pediu para não ser identificado, revelou, no entanto, à CNN o relatório que mostra que o regime de Kim Jong Un mantém intacto o programa nuclear e de mísseis. A ONU não vê qualquer alteração na atitude norte coreana.

O documento, que foi entregue aos 15 membros do Conselho, foi elaborado por vários peritos que adiantam que todo o material nuclear e também os mísseis balísticos têm sido mudados de local e estão guardados em depósitos não identificados, numa tentativa de iludir o controlo americano. Para além disso, foram criados novos locais de testes.

O relatório defende ainda que as sanções contra Pyongyang não estão a resultar. A Coreia do Norte encontrou, por exemplo, uma forma de ultrapassar o embargo imposto a produtos como petróleo e carvão fazendo transferências entre barcos em alto mar. Há bancos e companhias de seguros de vários países que continuam a facilitar os pagamentos destes negócios ilegais.

Os peritos acusam também o regime de Kim Jong Un de violar o embargo de armas imposto pela ONU, vendendo armamento ligeiro e outro equipamento militar à Líbia, Sudão e aos rebeldes houthis no Iémen.

Apesar de todas as evidências, e de os próprios serviços de informação do país dizerem que a Coreia do Norte continua a ser uma ameaça para os Estados Unidos, Donald Trump defendeu o contrário no discurso do Estado da União. O Presidente disse que se não tivesse sido eleito, os dois países estariam hoje em guerra mas que com ele o perigo passou. Trump reconheceu que há ainda trabalho a ser feito mas as negociações continuam e os dois Presidentes vão voltar a encontrar-se nos dias 27 e 28 de fevereiro no Vietname. A cidade ainda não está escolhida mas há duas hipóteses: Hanói e Da Nang.

Fontes próximas do processo dizem que a Coreia do Norte prefere Hanói porque tem lá uma embaixada. Os Estados Unidos, por seu lado, têm preferência por Da Nang, a cidade que foi há pouco palco de uma cimeira da Organização de Cooperação Económica Ásia-Pacifico e que os serviços de segurança já a conhecem. A decisão final deverá ser tomada nos próximos dias, quando o representante especial americano para a Coreia do Norte estiver em Pyongyang.

Antes de partir, Stephen R. Biegun esteve na Universidade de Stanford, na Califórnia, onde falou sobre as negociações em curso. Na palestra confirmou que Kim Jong Un, na última reunião com o secretário de Estado Pompeo, se comprometeu a destruir todo o material nuclear e que, perante isso, os Estados Unidos admitem levantar algumas das sanções mesmo antes da total desnuclearização estar confirmada.

O enviado da Casa Branca revelou ainda que a exigência de que, antes de outras medidas, a Coreia do Norte entregue um inventário completo de todo o material nuclear pode passar a ter um prazo mais alargado. A lista tem apenas de ser entregue para que seja possível ver se a desnuclearização total foi alcançada.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de