Papa aconselhado a não dizer "rohingya" na visita a Myanmar

Líder da igreja católica chegou ao país de maioria budista, em plena crise entre o exército birmanês e a minoria muçulmana que a ONU considera uma das mais perseguidas do mundo.

A visita de quatro dias que o papa Francisco iniciou a Myanmar (antiga Birmânia) é tão delicada que alguns conselheiros do Vaticano recomendaram que não fosse realizada. Outros aconselharam Francisco a não usar a palavra "rohingya", sob pena de criar um incidente diplomático e religioso.

Em Myanmar, país com 51 milhões de habitantes, 90% da população é budista. Os cristãos (cerca de 700 mil) estão em minoria, assim como os muçulmanos Rohingya, um grupo étnico que em 1982 perdeu a nacionalidade birmanesa ficando privado de direitos civis como acesso à saúde ou à educação.

O estado birmanês considera-os imigrantes ilegais, enquanto as Nações Unidas os classificam como uma comunidade apátrida, das mais perseguidas no mundo.

No final de agosto, alguns ativistas Rohingya atacaram postos do exército birmanês, ao que os militares responderam com uma ofensiva em larga escala incendiando aldeias, violando mulheres e matando centenas de pessoas. Desde então, mais de 600 mil Rohingya fugiram para o vizinho Bangladesh.

A comunidade internacional tem condenado estas as ações do exército birmanês, mas a líder civil de Myanmar, Aung San Suu Kyi - Nobel da Paz em 1991 pelo combate travado contra a junta militar então no poder na Birmânia - manifestou dúvidas sobre os ataques, nunca condenou o exército e com isso tem perdido credibilidade internacional, sendo acusada de ignorar os direitos humanos.

É neste contexto que o papa se vai reunir com Aung San Suu Kyi , com o chefe do exército, Min Aung Hlaing e com líderes religiosos locais.

Só a imprensa oficial da Birmânia foi autorizada a cobrir estes eventos. As autoridades birmanesas alegam razões de segurança para impor restrições aos órgãos de comunicação internacionais.

Para a missa a realizar quarta-feira em Yangon, a maior cidade de Myanmar, estão registados 150 mil católicos que viajaram de todo o país. A partir de quinta-feira, Francisco estará no Bangladesh e aí deve encontrar-se com os refugiados Rohingya.

Este ano, em Roma, o papa usou a palavra "rohingya" em duas ocasiões. O porta-voz do Vaticano disse à Reuters que Francisco "está a levar a sério" o conselho para Myanmar, mas sublinhou que "rohingya não é uma palavra proibida".

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