Pilotos da Ethiopian Airlines seguiram manual de segurança da Boeing. Nada evitou a queda

A companhia aérea etíope acaba de revelar que, apesar de todos os esforços e de terem seguido o livro de instruções, os pilotos não conseguiram evitar a queda do aparelho. O acidente, no dia 10 de março, causou 157 mortos.

A Ethiopian Airlines revelou no Twitter que o relatório preliminar, que vai ser divulgado em conferência de imprensa nas próximas horas, mostra que o sistema automático de controlo de voo foi desligado, mas os pilotos não conseguiram recuperar o comando do Boeing 737 Max 8.

Em novembro, pouco depois do acidente com o avião da Lion Air, que se despenhou no mar de Java, a companhia aeronáutica norte-americana divulgou um manual com os procedimentos que deviam ser seguidos em caso de emergência. Nos dois acidentes o mau funcionamento do Sistema de Aumento de Características de Manobra (MCAS) tem sido apontado como responsável. O novo sistema automático foi criado para corrigir a posição do nariz do avião. Nos dois casos, o MCAS estava a receber leituras incorretas do sensor que revela a posição do nariz do aparelho.

Estas descobertas sugerem que os procedimentos de emergência no manual da Boeing podem não ter sido suficientes para evitar a queda. Todos estes dados fazem parte de um relatório preliminar exigido pela autoridade investigadora. Os resultados não são finais e podem sofrer alterações à medida que a investigação continua.

Os dados recuperados da caixa negra do avião da Ethiopian Airlines sugerem que o Sistema de Aumento de Características de Manobra foi ativado automaticamente antes do acidente. Neste caso, os pilotos conseguiram desligá-lo. No acidente da Lion Air, o MCAS forçou a descida do avião mais de 24 vezes antes de finalmente se despenhar na água. Os pilotos lutaram contra problemas quase desde a descolagem por causa do sistema que, neste caso, não foi possível desligar.

Em conferência de imprensa, esta manhã, o ministro dos transportes etíope garantiu que o relatório iliba os pilotos de qualquer responsabilidade. Dagmawit Moges revelou ainda que foram feitas duas recomendações, uma para a companhia norte americana e a outra aos reguladores. Os investigadores querem que seja revisto o sistema automático e que os aviões só possam voltar a voar depois de confirmada a correção do problema.

A Boeing já disse que vai estudar o relatório.

A CNN teve, entretanto, acesso a uma base de dados federais e descobriu que vários pilotos norte-americanos, que tinham estado aos comandos de um Boeing 737 Max 8, já se tinham queixado da forma como o avião se comportava durante os voos.

Os investigadores têm também levantado dúvidas sobre a capacidade das tripulações para manobrarem este aparelho, mas o presidente do conselho de administração da Ethiopian Airlines revelou que os pilotos que passaram dos modelos mais antigos do 737 para o Boeing Max 8 precisaram apenas de fazer um programa de treino em simulador. Um treino que é recomendado pela Boeing e aprovado pela Administração Federal da Aviação norte-americana. O CEO etíope também revelou que o simulador de voo não tinha incluído o recurso automático ao sistema de Aumento de Características de Manobra.

Nos Estados Unidos, os porta-vozes dos sindicatos de pilotos da Southwest Airlines e da American Airlines revelaram entretanto que o treino é autoadministrado e não explica o recurso ao polémico MCAS. Um piloto americano revelou à CNN que fez a sua formação no iPad particular.

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