"Prendam-me também." O protesto a favor dos jornalistas condenados em Myanmar

Vários jornais do país juntaram-se a uma campanha de protesto a favor dos jornalistas da Reuters que foram condenados a sete anos de prisão.

"Prendam-me também." É este o mote da campanha que está a circular na internet e que tem como protagonistas vários jornalistas de Myanmar.

A iniciativa surge como protesto contra a condenação de dois jornalistas da Reuters a sete anos de prisão quando faziam uma investigação a uma alegada limpeza étnica cometida contra a minoria Rohingya.

Desde que a condenação se tornou pública muitas têm sido as manifestações de apoio aos repórteres em vários pontos do país e até na imprensa local, que também se associou à onda de indignação.

No "Myanmar Times Political" é possível ver um cartoon com uma faca a ser lançada contra um jornal, onde se pode ler "quem será o próximo?". No "Newspaper Seven Dail" sobressai um retângulo ao alto com fundo preto, em sinal de luto.

A contestação tem lugar também na rua de Rangum, a maior cidade do país, passando por Mandalay, no centro, a pequenas cidades como Pyay e Thathon. Na maior parte dos casos há desfiles silenciosos.

Os manifestantes, conta o The Guardian, seguem com a cabeça inclinada para o chão, cartazes voltados para o céu, num desses cartazes lê-se "liberdade para Wa Lowe e Kiawe Soe Oo". O diário britânico falou com um dos manifestantes, jornalista, que dá conta da preocupação que reina entre a classe. "Nós agora estamos preocupados connosco, se da próxima vez seremos nós". Outro jornalista que também se manifesta na rua interpreta a condenação como uma ameaça a toda a imprensa.

Na internet foi lançada a campanha #ArrestMeToo. Os jornalistas que promoveram este movimento argumentam que "se um jornalista é preso por ter na sua posse informações e números de telefone então... prendam-me também".

Os dois jornalistas condenados na passada segunda-feira foram sentenciados a sete anos de prisão por, segundo o juiz que julgou este caso, terem violado a "lei de segredos oficiais" ao serem detidos na posse de documentos secretos fornecidos por dois polícias. Investigavam a morte de 10 Rohingyas e outros abusos envolvendo soldados e a polícia em Inn Din, no estado de Rakhine.

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