PSOE, Podemos e Ciudadanos reúnem-se para tentar formar Governo

É a primeira reunião a três. Os líderes dos partidos têm 25 dias para apresentar uma alternativa e evitar novas eleições legislativas. Mas ainda há divergências.

Os socialistas do PSOE, de Pedro Sánchez (90 deputados) já têm um acordo com o Ciudadanos de Albert Rivera (centro-direita, 40 deputados) e ambos pretendem que o Podemos de Pablo Iglesias (69 deputados) também assine um documento que lista 200 medidas políticas baseadas nos programas das duas formações.

Pedro Sánchez aceita que o Podemos viabilize a sua eleição como presidente do Governo numa futura votação de investidura (perdeu a primeira), mesmo que com uma abstenção, enquanto o Ciudadanos exige que o Pablo Iglesias assine com o compromisso de votar "sim".

Com o aproximar do prazo de 2 de maio, (nessa data o presidente do Congresso dos Deputados dissolve o parlamento e convoca eleições para o dia 26 de junho), as posições continuam afastadas: o Podemos quer um governo de esquerda (uma coligação entre PSOE, Podemos e Izquierda Unida), viabilizado por uma abstenção do Ciudadanos.

Já o partido de Albert Rivera quer integrar um governo com os socialistas, mas não aceita a presença do Podemos no executivo, apenas o seu "sim" parlamentar.

Na reunião de hoje (às 16:30 no Congresso dos Deputados, menos uma hora em Lisboa) também não é certa a presença de outros líderes das três formações que não Pablo Iglesias. O secretário-geral do Podemos estará presente porque lidera a equipa de negociadores do seu partido e Pedro Sánchez deixou em aberto a sua eventual presença, mas Albert Rivera afasta "uma fotografia a três".

A sessão plenária de quarta-feira, véspera do encontro, não trouxe uma aproximação, já que Ciudadanos e Podemos voltaram a trocar duras acusações. A formação de esquerda radical acusa os "laranjas" de serem "os cunhados da direita", do PP de Mariano Rajoy.

Já a formação de Rivera recordou as notícias recentes de que o Podemos foi financiado pelo regime venezuelano de Hugo Chávez pelo menos entre 2003 e 2011.

As acusações entre Iglesias e Rivera voltaram a dominar o debate, relegando para segundo plano os ataques da esquerda ao governo de Rajoy.

Apesar de apenas a 02 de maio acabar o prazo para que os partidos cheguem a acordo, este terá de ficar fechado bastante mais cedo. O PSOE e o Podemos pretendem consultar as bases dos partidos sobre o pacto e, pelas leis eleitorais espanholas, o Rei Felipe VI ainda terá de consultar as formações políticas antes de (caso haja um acordo sólido) propor novamente Pedro Sánchez (PSOE) para uma sessão de investidura.

A observar de longe está o partido mais votado nas eleições de 20 de dezembro, o PP (123 deputados), que apenas espera que estes esforços do PSOE-Podemos e Ciudadanos falhem para que os socialistas aceitem, contra tudo o que têm dito, uma coligação PP-PSOE, com o eventual apoio do Ciudadanos.

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