Relação com Trump? "Não está a ser mais difícil do que o previsto", diz Guterres

Secretário-geral da ONU não se alonga nas palavras sobre o presidente dos EUA, mas admite que o relacionamento com Donald Trump está dentro do que era expectável. Venezuela e Guiné preocupam Guterres.

Foi num tom algo lacónico que António Guterres respondeu àquela que seria uma das últimas questões colocadas ao secretário-geral das Nações Unidas, no final do encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

Depois de várias perguntas sobre a crise na Venezuela, o impasse político na Guiné-Bissau ou a reforma promovida no interior das Nações Unidas, Guterres foi questionado sobre se a relação com a nova administração norte-americana tem sido mais difícil do que o esperado. E, na resposta, o responsável máximo da ONU não se alongou nas palavras.

"Não está a ser mais difícil do que estava previsto", disse António Guterres, que, na conferência de imprensa que decorreu no Palácio das Necessidades, em Lisboa, rapidamente passou para outra das questões colocadas pelos jornalistas.

Antes, e sem se referir diretamente a Donald Trump, o secretário-geral das Nações Unidas já tinha, no entanto, deixado alguns recados para os norte-americanos, acerca do papel dos Estados Unidos na resolução de conflitos interacionais.

"É fundamental que os Estados Unidos mantenham o empenhamento multilateral, sobretudo em relação às situações internacionais que exigem uma resposta global, na qual os EUA terão sempre uma influência determinante", disse, deixando ainda um aviso: "Na medida em que os EUA não estejam presentes em áreas essenciais da comunidade internacional, esse espaço vazio acabará por ser ocupado por outros".

Situação na Guiné-Bissau acompanhada com "grande preocupação"

Outro dos temas falados durante a reunião entre Augusto Santos Silva e António Guterres foi a situação em território guineense, num momento em que a Guiné-Bissau vive um impasse político.

O secretário-geral das Nações Unidas diz estar preocupado com a situação no país, defendendo que decisão do governo guineense de suspender a atividade da RTP, da RDP e da Agência Lusa - esta entretanto revogada - é mais um sinal de que é preciso estar muito atento aos acontecimentos recentes.

"Acompanhamos com grande preocupação a situação na Guiné-Bissau, desejando que o país possa encontrar o caminho da paz, da democracia e do respeito pelos direitos Humanos. E que se transforme num fator de estabilidade na região (...) Por isso mesmo, tudo quanto possa pôr em causa esse caminho, a ONU vê com grande preocupação", afirmou António Guterres.

Uma preocupação sublinhada também pelo ministro português dos Negócios Estrangeiros, que pede "bom senso", mas considera que o Governo guineense não tem argumentos suficientes para avançar com tal decisão.

"A situação já foi revista em relação à agência Lusa, mas ainda não foi em relação às emissões da RTP e da RDP. Nós consideramos que a permanência da proibição representa um atentado contra a liberdade de imprensa e contra o direito dos guineenses à informação", disse Augusto Santos Silva, que afirma ainda que "os motivos invocados [pelo Governo guineense] carecem de fundamento, visto que o Governo português dispôs-se a rever o Acordo e o Protocolo de Cooperação".

E acrescenta: "Estamos a trabalhar nesse sentido e não há aqui nenhuma questão técnica em causa".

Venezuela. Mais uma "grande preocupação" de Guterres

No final do encontro, o responsável máximo da ONU e o ministro português abordaram ainda o tema da crise política na Venezuela e do apoio dado aos cidadãos portugueses que se encontram a residir no país.

Augusto santos silva adianta que o Governo português tem tido como prioridade "assegurar as condições de segurança e bem-estar da comunidade lusodescendente". Quanto a António Guterres, diz estar em contacto permanente com os mediadores internacionais.

"Tenho mantido um contacto muito assíduo com os três negociadores, com a própria Santa Sé e com os vários países da região. As Nações Unidas não estão empenhadas diretamente numa mediação, que, aliás, teria de ser aceite pelas partes, mas temos acompanhado com muito interesse todos os trabalhos", disse o secretário-geral da ONU, que pede uma "redução da tensão" e uma maior disponibilidade para o diálogo.

António Guterres vê por isso, com "muita preocupação" a situação no país, e lamenta que essa situação não tenha melhorado nos tempos mais recentes: "Bem pelo contrário", salienta.

Por estes dias, e há vários meses, a Venezuela encontra-se numa grave crise política - e económica -, em que o presidente, Nicolás Maduro, se opõe ao parlamento, no qual a oposição se encontra em maioria.

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