Uma jogada para manter presidente ucraniano no poder? Russos acreditam que sim

Responsável russo na ONU acusou o presidente ucraniano de querer cancelar as eleições.

A Rússia acusou esta segunda-feira o Presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, de orquestrar a crise no estreito de Kerch, com o objetivo de cancelar as eleições de março e permanecer no poder.

"Todos percebemos do que se trata. Isto aconteceu para cancelar as eleições, apesar das promessas em contrário", disse o vice-embaixador russo na ONU Dmitry Polyanskiy numa reunião do Conselho de Segurança.

Segundo Polyanskiy, a declaração do estado de emergência assinada por Poroshenko serve apenas esse propósito e deverá ser "naturalmente estendida" no tempo.

O diplomata russo disse que o confronto de domingo na área que liga o Mar Negro e o Mar de Azov (estreito de Kerch) foi uma invenção de Kiev com o apoio de potências ocidentais, consistindo numa "provocação planeada".

O objetivo de Poroshenko, disse Polanskiy, é "novamente acusar a Rússia de tudo" e inflacionar a sua popularidade, apresentando-se como o "salvador" do seu país.

As eleições presidenciais na Ucrânia devem ser marcadas até final de dezembro, para poderem ocorrer em final de março, como estava estipulado.

Quando Poroshenko anunciou um estado de exceção, com a duração de 60 dias, esses prazos ficaram inviabilizados.

Perante pressões de adversários internos, que consideraram que o estado de emergência poderia ter fins políticos, o Presidente diminuiu o período de estado de emergência para 30 dias, permitindo que o calendário eleitoral seja cumprido, se não houver prolongamento das medidas excecionais.

A medida vem na sequência do apresamento pela Rússia, no domingo, de três navios da Armada da Ucrânia no mar Negro.

Polyanskiy apresentou esta segunda-feira ao Conselho de Segurança a versão russa do que aconteceu no domingo, insistindo que três navios ucranianos violaram as suas águas territoriais.

Na versão do diplomata russo, os marinheiros ucranianos feridos pelas forças de seu país receberam cuidados médicos e as suas vidas não estão em perigo, enquanto os navios estão em portos russos no âmbito de uma investigação criminal.

A Ucrânia considera que os navios estavam em águas neutras e considera que a Rússia violou tratados internacionais.

Tanto a Rússia como a Ucrânia pediram que o Conselho de Segurança da ONU abordasse esta crise, numa reunião com caráter de urgência. Desta reunião saiu um aviso para os russos: podem existir consequências deste ato, mas mantém-se aberta a porta do diálogo.

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