"Saúde para Todos" ajuda a educar surdos profundos

Programa financiado pelo Instituto Camões e pela Direção-Geral da Saúde já disponibiliza médicos especialistas e acompanha educação de surdos profundos. Reportagem da TSF em São Tomé.

Agitam as duas mãos erguidas, como se estivessem a dizer "adeus", mas na verdade estão a dizer "olá". São dezenas de surdos profundos, a maioria adolescente, que aprendem linguagem gestual na escola da Fundação para o Desenvolvimento no bairro da Trindade, em São Tomé, sem luz elétrica, mas com formadores que entregam toda a paixão à tarefa. É o caso de Sebastião, um psicólogo da educação português de 26 anos, também surdo.

"Aqui não há recursos visuais e nós precisamos de recursos visuais", explica. Sem essa ajuda, que apoiaria a aprendizagem, a imaginação e o dicionário gestual de São Tomé, concebido pela universidade Católica dão uma ajuda.

"Antes do dicionário teve de haver uma emergência da língua", conta Ana Mineiro, docente da Católica, "trouxemos uma formadora, que também é surda, e ela através de materiais e de imagens reuniu os surdos todos e começou a criar os gestos. Ao fim de um tempo, esta língua já existe. Eles já falam correntemente".

Arrancaram em 2013 e agora o trabalho está a ser desenvolvido pela Associação São-tomense.

Nada teria sido possível nesta escola inclusiva sem o programa Saúde para Todos, trazido pelo Instituto Marquês de Valle Flôr para São Tomé. Ahmed Zaky, diretor de projetos do instituto conta que em 2009 começou a ser trabalhada a área dos médicos especialistas - só havia três ao todo no arquipélago e foi identificada uma tendência - cerca de 3% da população tinha défice auditivo. Em São Tomé e Príncipe há, ao todo, cerca de 5 mil surdos. Tudo por conta da rubéola durante a gravidez das mães. Um problema que afeta toda a África subsaariana.

A vacina desenvolvida pela Organização Mundial de Saúde só disponível desde o início deste ano. Ou seja, há várias gerações de surdos profundos a precisar de um trabalho dedicado até à fase da inclusão social.

Vinte anos depois de terem cuidados de saúde primários, os são-tomenses já não precisam de ir para Portugal para consultar um especialista. Muitos são acompanhados no hospital Dr. Ayres de Menezes por médicos portugueses que vêm para São Tomé por várias semanas. Outros com a ajuda da Telemedicina.

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