Secretário de Estado já está na Beira. "Identificar necessidades" é prioridade

José Luís Carneiro elogia a organização dos portugueses nas redes sociais, que tentam detetar casos de portugueses com quem ainda não foi possível chegar à fala.

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luís Carneiro, já aterrou na Beira, em Moçambique onde, como explicou em declarações à TSF no local, vai "identificar" as necessidades criadas pela passagem do ciclone Idai na região.

Os cerca de 500 mil residentes da quarta maior cidade do país ficaram sem energia e linhas de comunicação. Acabado de chegar à Beira, José Luís Carneiro explicou que esta deslocação "tem a ver com a necessidade de fazer uma avaliação, no terreno, das necessidades efetivas. Não apenas identificar as necessidades efetivas por que estão a passar os portugueses e moçambicanos, para podermos mobilizar os nossos apoios, mas ao mesmo tempo para poder identificar aqueles que, sendo portugueses, carecem ainda da nossa ajuda e da nossa solidariedade".

Já está quarta-feira, José Luís Carneiro e o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, revelaram que há três dezenas de portugueses na região que ainda não conseguiram ser contactados. O secretário de Estado reforça a necessidade de tratar este assunto com rigor.

"Houve famílias em Portugal que ligaram para a embaixada, solicitando ajuda para poderem contactar com 30 cidadãos portugueses que estão na jurisdição da Beira e que ainda não tinha sido possível contactar. Acreditamos que tem a ver com a falta de comunicações móveis e telefones fixos", reforçando que estas pessoas não estão desaparecidas mas sim, para já, incontactáveis, segundo disse à TSF.

Para esta quinta-feira fica uma nova tentativa de restabelecer contacto com estes portugueses, mediante uma tentativa de melhoria das infraestruturas de comunicação.

"A região da Beira é equivalente a toda a Península Ibérica. Estamos a falar de uma região onde vivem, talvez, três ou quatro milhões de pessoas e na qual há seis mil portugueses espalhados." José Luís Carneiro elogia também a atitude de vários cidadãos que se têm organizado "com recursos às redes sociais, como o WhatsApp e Facebook, para detetarem casos de portugueses com os quais não se sabe se será possível o contacto".

O governo moçambicano já fez um pedido formal de ajuda ao Estado português, sendo que agora será iniciada uma operação de mobilização de vários órgãos de apoio internacional.

"Tivemos uma reunião de trabalho com a vice-ministra da Cooperação e dos Negócios Estrangeiros que nos comunicou a intenção de fazer um pedido forma de ajuda ao Estado português após a declaração da emergência nacional, que já foi declarada pelas autoridades moçambicanas. Agora é formalizado o pedido de apoio ao Estado português e, a partir daqui, vários mecanismos se acionarão, tendo em vista mobilizar várias frentes de apoio, quer portuguesas quer europeias, em articulação com várias ONG, agências da ONU e atores da própria União Europeia", explicou.

Ainda na noite desta quarta-feira parte para Moçambique um C-130 da Força Aérea com "missão prioritária de busca, salvamento e resgate de pessoas em perigo, aproveitando as vias fluviais", segundo um comunicado do gabinete do ministro da Defesa.

Esta força militar "é constituída por fuzileiros da Marinha com botes e dois drones, e duas equipas do Exército com capacidade de intervenção médica e de apoio de engenharia." A bordo seguem também equipamentos de comunicações satélite, medicamentos e material clínico e de tratamento.

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