Síria: "Crianças de 5 anos nem sabem o que é fruta"

A organização Capacetes Brancos é homenageada esta quarta-feira, em Fafe no primeiro dia do Terra Justa. A jornalista Liliana Costa conversou com um membros da organização que tem estado no terreno a colaborar no apoio e resgate às vítimas da guerra.

Ahmad Yousef, um dos dirigentes da organização dos Capacetes Brancos da Síria que é homenageada esta noite em Fafe no âmbito do Terra Justa - Encontro de Causas e Valores da Humanidade, reforça os alertas para a situação em Idlib que está a sofrer com a pressão dos deslocados de Douma e Gouta Oriental, recentemente recuperados pelo regime sírio.

"Estive há sete dias em Idlib a receber os capacetes brancos e os civis que foram obrigados a sair de Douma e Gouta Oriental. A intensidade demográfica é enorme. Al-Assad não precisará de recorrer a armas químicas para matar muitas pessoas. Se mandar um ferro de engomar de um avião mata cinco pessoas lá em baixo", avisa Ahmad Youssef que antes de partir para a Turquia e depois para Portugal teve como missão "orientar" os deslocados.

Em entrevista à TSF, este professor de Matemática garante que já enfrentou várias situações de horror, mas foi quando soube do ataque a Douma, a 7 de abril passado, após o suposto uso de agentes químicos que fez aumentar a tensão na Síria nas últimas semanas, que viveu a situação mais complicada. "Afetou-me muito. Foram contabilizados 42 mortos neste ataque, entre eles 12 crianças e 15 mulheres que respiraram o gás que foi lançado, cuja natureza ainda conhecemos. Acho que isto deixa cicatrizes a qualquer pessoa", relata.

Nem só o sangue derramado nas ruas ou corpos abandonados deixam marcas a Ahmad Youssef. Este capacete branco não esquece as crianças de Gouta Oriental que viveram um cerco de cinco anos."Das situações mais tristes que vivi foi quando recebemos as pessoas que deixaram aquelas zonas para Idlib e, entre elas, crianças que não sabiam sequer o que é uma bola [de futebol] ou fruta. Um deles dizia que nunca tinha visto um pepino amarelo porque não sabia o que era uma banana. Isto mexe muito connosco e deixa-nos a chorar lágrimas de sangue por ver tanta atrocidade", descreve.

Ahmad Yousef pede "firmeza à comunidade internacional, que seja séria para acabar com esta crise".

Ahmad Youssef é um dos elementos da direção da Defesa Civil Síria que está em Portugal para a homenagem que os Capacetes Brancos vão receber esta noite no Teatro Cinema de Fafe, no âmbito do Terra Justa.

Com o tema "A Pessoa e a Igualdade - Cuidar o Futuro dos Direitos Humanos", este encontro vai ainda distinguir, amanhã, o trabalho da Human Rights Watch.

Na sexta-feira, o Terra Justa presta homenagem póstuma à antiga primeira-ministra Maria de Lurdes Pintassilgo.

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