Tremeu, mas não caiu. Terá o pesadelo judicial de Trump chegado ao fim?

A investigação às ligações perigosas entre Trump e a Rússia chegou tão perto do Presidente que lhe prendeu homens próximos, auscultou documentos privados e pôs a Casa Branca em turbulência. O relatório pôs um ponto final a um pesadelo que dura há dois anos. Será?

Foram 22 meses de investigação, suspeitas e troca de acusações que acabaram por não ter o resultado que muitos esperavam. O procurador especial norte-americano, Robert Mueller, não encontrou quaisquer provas de ligação da campanha do atual Presidente dos Estados Unidos à Rússia.

A reação de Trump não tardou e, através do Twitter, o Presidente norte-americano declarou-se totalmente ilibado pelo relatório de Mueller: "Não houve conluio, não houve obstrução, EXONERAÇÃO total e completa. MANTENHAMOS A AMÉRICA GRANDE!"

Ainda assim, as vozes discordantes insistem que o caso não está fechado e lembram o resumo enviado pelo procurador-geral da justiça americano, William Barr, ao Congresso, no qual se pode ler que "embora este relatório não conclua que o Presidente cometeu um crime, também não o exonera".

Como tudo começou e o que estava em causa?

O ano de 2017 acordou amargo para a presidência de Donald Trump quando os serviços de inteligência dos Estados Unidos da América determinaram que houve interferência russa nas eleições presidenciais do ano anterior, com o objetivo de denegrir a então candidata democrata Hillary Clinton e favorecer a eleição do candidato republicano.

As suspeitas de colaboração entre a equipa de Trump e o Kremlin levaram a que o FBI e o Congresso iniciassem uma investigação para esclarecer se havia, de facto, uma manobra orquestrada pelos dois lados, como explica o El País.

Trump negou sempre as acusações, mas isso não o livrou de receber o carimbo de "culpado" por muitos democratas, jornalistas e analistas de todo o mundo.

Ao longo de dois anos, a equipa de Mueller acusou 33 pessoas - cinco deles do círculo de Trump - e três empresas russas. Os cinco ex-assessores do presidente, incluindo Michael Cohen, braço-direito do Presidente, declararam-se culpados. Até agora, nenhum dos crimes cometidos por elementos próximos de Trump está relacionado com a interferência do Kremlin nas eleições de 2016.

O que conclui o relatório?

Robert Mueller escreveu, no relatório que enviou ao Congresso, que "nenhum funcionário ou membro da equipa de Trump conspirou com operadores russos durante a campanha presidencial em 2016".

Quanto à outra questão central deste caso, uma eventual obstrução à justiça por parte do chefe de Estado norte-americano, Mueller não emitiu uma conclusão definitiva.

"Apesar de este relatório não concluir que o Presidente cometeu um crime, também não o exonera", escreveu o procurador especial, citado pelo secretário da Justiça.

Mas Barr, primeiro destinatário do tão aguardado relatório da investigação, conclui, por sua vez, que o documento que analisou desde sexta-feira não menciona qualquer crime suscetível de desencadear procedimentos judiciais com base numa obstrução à justiça.

O caso está encerrado?

Para Trump a conclusão do relatório é clara e significa um ponto final num pesadelo que já dura há mais de dois anos. Mas há quem discorde e os líderes democratas do Congresso norte-americano já vieram exigir a publicação do relatório do procurador especial Robert Mueller.

"É urgente que o relatório completo e todos os documentos associados sejam tornados públicos", defenderam, em comunicado, a líder dos democratas no Congresso dos EUA, Nancy Pelosi, e o líder da minoria do Senado, Chuck Schumer.

Por sua vez, os democratas Jerrold Nadler, Adam Schiff e Elijah Cummings, que lideram três importantes comités parlamentares no Congresso, consideraram que o relatório Mueller "não exonera o Presidente".

O procurador especial norte-americano Robert Mueller concluiu, após quase dois anos de investigação, não existirem provas de acordo ou coordenação entre a equipa de campanha de Donald Trump e Moscovo nas eleições presidenciais de 2016.

As conclusões do relatório, divulgadas no domingo pelo secretário da Justiça norte-americano, William Barr, constituem uma incontestável vitória para o Presidente dos Estados Unidos, que há meses repetia não ter havido qualquer "conluio", e melhoram as suas perspetivas de uma reeleição em 2020.

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