Em noite de exame, Trump preencheu os silêncios entre aplausos. "Estado da União é forte"

Presidente norte-americano dirigiu-se esta noite à nação norte-americana no discurso do "Estado da União".

Donald Trump fez, na madrugada desta quarta-feira, o discurso do "Estado da União", perante uma Câmara dos Representantes repleta. Esta foi a primeira vez que Trump se dirigiu à nação com Nancy Pelosi, democrata, como presidente desta Câmara.

A fronteira com o México - que terá "uma barreira inteligente, estratégica e transparente" - a guerra comercial com a China e o anúncio de um novo encontro com o líder norte-coreano Kim Jong-Un foram os pontos principais do discurso de Donald Trump. Isto, quando não estava a ser ovacionado.

Pontualidade... americana

Foi sob um coro de palmas que Donald Trump entrou na sala. Acenos, apertos de mão, dedos apontados e "palmadinhas" nos ombros que fizeram o Presidente norte-americano demorar quase quatro minutos a percorrer os cerca de 25 metros que separavam a porta do local onde discursaria. Seguiu-se novo aplauso de pouco mais de um minuto até que Trump tomasse a palavra. Eram 2h07, hora de Lisboa, quando começou a discursar.

"Um momento de potencial ilimitado." Foi assim que Trump começou o seu discurso, garantindo ao "novo" Congresso que estava pronto para trabalhar de forma conjunta. "Os americanos estão a ouvir-nos, neste momento, com a esperança de que não governemos como dois partidos, mas sim como uma só nação". Voltaram a ouvir-se aplausos.

Depois de lembrar os esforços norte-americanos na Segunda Guerra Mundial e de cumprimentar os veteranos de guerra presentes na sala, Trump falou da exploração espacial e deixou uma garantia: "Este ano, astronautas norte-americanos vão voltar ao Espaço a bordo de foguetões norte-americanos."

Trump começou por destacar a redução nos números do desemprego nacional a nível geral e nos vários estratos socioeconómicos, prometeu lutar pelos trabalhadores e operários, destacou os cortes nos impostos e os subsídios à natalidade e agricultura, o acesso a medicamentos vitais para o tratamento de certas doenças e o corte de vários regulamentos. Cada um destes tópicos era enunciado em poucos segundos, seguido de aplausos. Trump mantinha um diálogo com os republicanos na sala baseado no binómio "frase-palmas".

"O Estado da União é forte". Trump arrancava os primeiros "USA! USA! USA!" da assistência. "Isso soa tão bem", respondia, altivo.

"Há um milagre económico a acontecer nos Estados Unidos e a única coisa que o pode parar são guerras patetas, política ou investigações partidárias ridículas", declarou Trump, começando por abordar o estado económico do país.

A fronteira com o México: "Os muros funcionam, os muros salvam vidas."

Seguiu-se um dos assuntos do momento, o do muro na fronteira sul que os Estados Unidos partilham com o México. "Republicanos e democratas devem juntar-se para confrontar uma emergência nacional. O Congresso tem dez dias para aprovar um diploma que vai financiar o Governo, proteger a nossa terra natal e tornar segura a nossa perigosa fronteira sul. É altura de o Congresso mostrar ao mundo que a América está investida em acabar com a imigração ilegal e em acabar com os coiotes que são os cartéis e os traficantes de drogas e de seres humanos", começou por dizer.

"Neste momento, há grandes caravanas organizadas a caminho dos Estados Unidos. Há cidades mexicanas que, para se livrarem dos imigrantes ilegais, estão a recorrer a camionetas e camiões ilegais para os levarem até zonas da fronteira com pouca segurança. Ordenei que mais 3.750 militares se dirijam para a nossa fronteira sul e se preparem para esta tremenda ofensiva. Este é um problema moral, o Estado sem lei da nossa fronteira sul é uma ameaça à segurança e bem-estar financeiro de toda a América. Temos a obrigação moral de criar um sistema de imigração que proteja as vidas e empregos dos nossos cidadãos. "Eu vou construí-la!"

"Esta é uma barreira inteligente, estratégica e transparente, feita de aço. Não é uma simples parede de betão. Será instalada nas áreas identificadas como mais necessitadas. Todos os agentes vão dizer-vos: onde as paredes crescem, as travessias ilegais decrescem", assegurou o Presidente norte-americano, para gáudio dos republicanos, merecendo mais uma salva de palmas.

Trump deu, de seguida, um exemplo com base numa cidade no Texas. "A cidade muralhada de El Paso, no Texas, tinha taxas de crime violento extremamente altas, uma das maiores de todo o país. Era considerada uma das cidades mais perigosas do nosso país. Agora, imediatamente depois da construção de uma barreira El Paso, é uma das cidades mais seguras do país. De forma simples, os muros funcionam, os muros salvam vidas. Vamos chegar a um acordo que tornará a América realmente segura."

A guerra comercial com a China

A recente imposição de tarifas sobre as importações chinesas e a guerra comercial com o país foram os temas seguintes. "A China teve como alvo as indústrias norte-americanas durante anos, roubou propriedade intelectual. A era do roubo de empregos e riqueza americana acabou", declarava Trump.

"Não culpo a China por se ter aproveitado de nós, culpo os nossos líderes por deixarem que esta bizarrice aconteça", atirou antes de expressar o seu respeito pelo Presidente chinês Xi Jinping e garantir que vai tentar chegar a um novo acordo comercial. "Tem de incluir o fim das práticas comerciais desleais, a redução do nosso défice comercial crónico e a proteção dos empregos norte-americanos."

Trump marca encontro com Kim Jong-Un

Ainda no continente asiático, Trump falou da Coreia do Norte e da sua relação com Kim Jong-Un. "Se eu não tivesse sido eleito Presidente dos Estados Unidos, acredito que já estaríamos numa guerra com a Coreia do Norte e com milhões de pessoas mortas. Ainda há muito por fazer, mas a minha relação com Kim Jong-Un é boa. Por isso, vamos encontrar-nos de novo a 27 e 28 de fevereiro, no Vietname."

O apoio aos venezuelanos

"Estamos ao lado do povo venezuelano na sua nobre procura de liberdade. Condenamos a brutalidade do regime de Maduro, cujas políticas socialistas levaram o país que era o mais rico da América do Sul a um estado de pobreza e desespero abjetos." De seguida, criticou aqueles que pedem que os Estados Unidos adotem o socialismo e as suas práticas de "coação, dominação e controlo". "Esta noite reforçamos a resolução de que a América nunca será um país socialista", declarou Trump dirigindo-se aos republicanos que, uma vez mais, o presentearam com uma intensa salva de palmas.

Num discurso centrado nas políticas internas e numa tentativa de apelo à união entre republicanos e democratas, Donald Trump acabou por não aprofundar o tema. Isto depois de ter admitido que podia promover uma intervenção militar no país.

A situação no Afeganistão

Trump garantiu que há "conversas construtivas" com vários grupos no Afeganistão, entre eles os talibãs. O Presidente norte-americano espera poder reduzir a presença militar no país e focar os esforços norte-americanos em operações de contraterrorismo.

"Não sabemos se vamos chegar a um acordo - mas sabemos que depois de duas décadas em guerra, chegou a hora de pelo menos tentarmos a paz", disse no seu discurso.

Estava terminado o Estado da União. "Obrigado, Deus vos abençoe. Deus abençoe a América."

Trump saía sob a ovação de uma sala em pé, da Câmara dos Representantes.

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