Turismo, fronteiras e burocracia. O impacto do impasse no Brexit em Portugal

O impacto da saída do Reino Unido da União Europeia para Portugal foi o tema do Fórum TSF desta quarta-feira.

Depois de o Parlamento britânico ter chumbado o acordo de Theresa May com a União Europeia sobre o Brexit, os empresários portugueses e aqueles que estão emigrados no Reino Unido olham para este impasse com apreensão.

O presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), em entrevista ao jornalista Manuel Acácio no Fórum TSF, saudou a iniciativa do governo de criar uma linha de financiamento para as empresas portuguesas, com um montante inicial de 50 milhões de euros, mas, na visão do empresário, isso não é suficiente para fazer face às consequências de uma eventual saída sem acordo.

"É necessário um enorme reforço de recursos humanos nas nossas fronteiras e nos postos aduaneiros. Há um conjunto de medidas que têm que ser acauteladas. Não chega apenas dizer que há 50 milhões disponíveis se não se reforçarem os recursos humanos."

No mesmo plano, Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo Português, admitiu, no Fórum TSF, que "esta incerteza não ajuda em nada e cada vez que se prevê que algo possa acontecer de menos mau acontece sempre o pior" e lembra que o Brexit já está a ter impacto no turismo em Portugal.

"Em 2016, os turistas britânicos subiram cerca de 10%. Em 2017, já ficaram a zeros. E, em 2018, até outubro já está a descer 9%. O Brexit já está a ser uma má realidade para o turismo português. O problema que nós temos é que, além de o mercado britânico ser o nosso principal mercado é um mercado que tem uma grande concentração, nomeadamente na Madeira e, sobretudo, no Algarve. O número de dormidas de estrangeiros no Algarve é de 15 milhões, dos quais seis milhões são de britânicos."

Guilherme Rosa, ex-autarca trabalhista português, em Londres, e dinamizador do Movimento Portuguese 4 Europe, defende que o Governo deve estar mais atento aos portugueses no Reino Unido teme que os emigrantes se transformem no "bode expiatório", caso a Europa endureça as negociações.

"O Consulado Português de Londres é refém de comunidades de portugueses de origem de sítios como Macau que, só pela nacionalidade, minam e esgotam totalmente a capacidade de serviços e de prestação de serviços do consulado. Há um sistema de marcações online às quatro da tarde que nunca funcionou, porque, alegadamente, há uma máfia informática que tem vários computadores em rede que ficam logo com as marcações. Como é que é possível o Governo português ainda não ter resolvido esta situação? Parece-me uma diplomacia um bocadinho eclética demais. Nós, portugueses, hoje em dia, estamos a sofrer e sentimo-nos consternados. Se isto se tornar um processo socialmente violento as pessoas podem ser realmente afetadas."

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