"Isto tem de parar." Um morto e mais de 50 feridos no segundo dia de protestos

Depois de Guaidó ter declarado que estava em curso um golpe contra o regime de Maduro, a população venezuelana saiu à rua. Esta quarta-feira, os confrontos entre as duas faces resultaram numa vítima mortal e dezenas de feridos, vários deles menores.

Uma pessoa perdeu a vida e outras 50 ficaram feridas, em Caracas, durante o segundo dia de protestos nas ruas da Venezuela, anunciaram fontes médico-sanitárias.

Rausseo García, uma jovem de 27 anos, terá sido morta com uma bala na cabeça, durante uma manifestação em Caracas, de acordo com a organização não-governamental Observatório de Conflitos.

A confirmar-se esta morte, é a segunda em dois dias de protestos. Já na terça-feira, Samuel Enrique Méndez, de 24 anos, morreu durante os protestos registados no estado de Aragua, depois da ação de força desencadeada pelo autoproclamado Presidente interino da Venezuela, Juan Guaidó.

Juan Guaidó já veio lamentar, no Twitter, as duas mortes não confirmadas oficialmente. "Isto tem que parar e os assassinos terão que ser responsabilizados pelos seus crimes", escreveu.

Nos protestos desta quarta-feira, um total de 46 feridos foram tratados no município de Caracas de Chacao, onde as forças de segurança e milhares de manifestantes entraram em confronto durante várias horas.

Segundo a UNICEF, que cita informações recebidas diretamente, entre as dezenas de feridos, encontram-se pelo menos 15 menores, entre os 14 e os 17 anos.

"Os protestos potencialmente violentos nas ruas da Venezuela estão a expor os jovens a lesões e a danos", diz-se num comunicado de Henrietta Fore, a diretora executiva da agência da ONU para a infância, no qual pede a todos os envolvidos que tomem medidas imediatas para proteger as crianças de "qualquer tipo de violência".

A presidente do serviço municipal de saúde, Maggia Santi, explicou aos jornalistas que os feridos estão todos fora de perigo, incluindo dois feridos com armas de fogo.

Pelo menos 20 pessoas foram baleadas, 13 das quais sofreram várias lesões. Ainda há registo de vários manifestantes feridos na sequência do lançamento de gás lacrimogéneo por parte da Guarda Nacional Bolivariana (GNB).

Além disso, a União Nacional de Trabalhadores da Imprensa (SNTP) informou que uma dúzia de jornalistas também ficaram feridos quando cobriam manifestações contra o Governo. O sindicato informou que cinco repórteres foram feridos com balas.

A Venezuela viveu na quarta-feira uma segunda onda de manifestações. O dia anterior tinha também terminado em protestos violentos, dos quais resultaram um morto e 80 feridos, segundo um levantamento de um grupo de militares em Caracas.

Milhares de pessoas concentraram-se na quarta-feira em vários locais da capital venezuelana, de acordo com o apelo feito pelo líder da oposição, reconhecido como Presidente interino da Venezuela por meia centena de países.

Os defensores do Governo concentram-se no centro e oeste de Caracas para participar nas manifestações convocadas pelo executivo a propósito do 1.º de Maio.

O autoproclamado Presidente interino da Venezuela desencadeou na madrugada de terça-feira um ato de força contra o regime de Nicolás Maduro em que envolveu militares e para o qual apelou à adesão popular.

O regime ripostou considerando que estava em curso uma tentativa de golpe de Estado. Não houve, durante o dia, progressos na situação, que continua dominada pelo regime.

Apesar de Juan Guaidó ter afirmado ao longo do dia que tinha os militares do seu lado, nenhuma unidade militar aderiu à iniciativa nem se confirmou qualquer deserção de altas patentes militares fiéis a Nicolas Maduro.

Notícia atualizada às 9h19

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