Mamoré de Borba: Sem Amarras é mais exclusivo

Empresa de Borba criou uma marca de vinhos com produção limitada.

Sete anos volvidos sobre o lançamento das referências que marcaram o arranque da nova vida da Sovibor, a empresa de Borba criou uma nova marca baseada em vinhos descomprometidos, de produção limitada e marcados pelo experimentalismo: Mamoré Sem Amarras.

Fiéis à designação, os três novos vinhos Mamoré Sem Amarras agora lançados - Branco Curtimenta 2018; Cardignan 2020 e TA 39 de 2019 - estão longe de pretenderem ser consensuais.

Nos 200 hectares sob controlo da Sovibor, a disparidade em termos de idade das vinhas é grande, variando entre os seis ou sete anos e mais de 70, o que permite uma maior criatividade.

Tirar partido desse rico património para fazer algo diferente em termos de castas e de formas de vinificação, foi o objetivo da equipa de enologia, dirigida pelos enólogos Rita Tavares (residente) e António Ventura (consultor).

As vinhas estão plantadas no planalto de Borba, com uma altitude que varia entre os 350 e os 420 metros, protegido dos ventos nefastos pela serra de Ossa, em solos com uma enorme variedade de tipos, desde o xisto, o mais pobre, ao argilo-calcários, com maior capacidade de retenção de água.

Criatividade para fazer diferente

A casta Antão Vaz, uma das mais tradicionais do Alentejo, foi a escolhida para o Mamoré Sem Amarras Branco Curtimenta 2018, feito com curtimenta total e maceração em lagar, tal como se tratasse de um tinto. Após a fermentação alcoólica, estagiou 19 meses em barricas de carvalho francês com quatro anos, e mais 15 meses em ânforas de barro cru. O lote final foi produzido com cerca de 65 por cento do vinho estagiado em barricas.

É um vinho com cor amarelo palha; notas de caramelo e de frutos secos; guloso e com uma evolução terciária muito rica. Um branco 100 por cento Antão Vaz de grande qualidade, complexo e muito gastronómico.

Das vinhas mais velhas vieram as uvas para o Mamoré Sem Amarras Cardignan 2020.

Casta francesa tão antiga quanto mal amada por terras da velha Gália, a Cardignan, conhecida na região por Pinot de Évora, é plantada apenas em terras de sequeiro.

Após a vindima, foi vinificada em lagar: pisa a pé e maceração completa, seguindo-se estágio, exclusivamente, em cubas de inox.

Um processo que resultou num vinho com grande frescura aromática, elegante e com grande acidez, com 13 por cento de teor alcoólico e do qual foram produzidas 2 200 garrafas.

Com duas castas de uvas tintas muito representativas do Alentejo - Trincadeira e Aragonez - a equipa da Sovibor elaborou o Mamoré TA 39; as iniciais das castas a que se juntou o número da talha em que o vinho estagiou inspiraram a designação deste Sem Amarras, que estagiou 15 meses em duas ânforas antigas não pesgadas, ou seja, sem revestimento interior. O comportamento das talhas foi diferente, o que acabou por justificar a escolha feita e que resultou num vinho diferente, com boa estrutura de taninos, grande complexidade e sem que a influência do barro esteja presente.

Deste Mamoré Sem Amarras TA 39 foram produzidas apenas 1500 garrafas.

Mais novidades

Entretanto, estão prestes a surgir no mercado novas referências que ampliarão o portefólio da Sovibor, nomeadamente o Mamoré Reserva branco 2020, um "blend" de Arinto, Antão Vaz e Verdelho, e o Mamoré Tinto Vinhas Velhas 2018, com Trincadeira e Alicante Bouschet, , com pisa a pé; fermentação em lagar e estágio de 15 meses em barricas novas e usadas

Um grupo nortenho à conquista do sul

O grupo Sotavinhos, liderado pelo empresário vale cambrense Fernando Tavares, adquiriu em 2014 a Sovibor, que resultara, quase meio século antes, da fusão de dois produtores de Borba, as famílias Pinto e Mira.

A modernização da Sovibor, nomeadamente através da recuperação do património edificado - um trabalho meticuloso e bem conseguido, com absoluta salvaguarda da traça original --, os modernos processos de vinificação, a criação de novas marcas e a rotulagem foram alguns dos capítulos que estiveram no laborioso e bem conseguido processo de relançamento dos vinhos da empresa de Borba.

A marca Mamoré, anagrama de mármore, uma das riquezas daquele concelho alentejano, nasceu em 2016, um ano após a primeira vindima da nova vida da Sovibor, que produziu cerca de 900 mil garrafas no ano que antecedeu a pandemia.

Desde então, ganharam reconhecida notoriedade os Mamoré Reserva Branco 2016 e 2017 e em particular o Grande Reserva 2018, um vinho complexo, bem estruturado, que assinalou os 50 anos da Sovibor.

Os vinhos de talha mereceram especial carinho, tanto mais que a adega adquirida pela empresa possui um vasto e rico legado, muito em particular em talhas ancestrais. Os Mamoré de Talha são elaborados através dos processos tradicionais usados em algumas regiões do Alentejo para produção deste vinho de características muito especiais.

Em fase ascensional no mercado, trilhando um caminho sustentado, a Sovibor produziu, em, 2019, cerca de 900 mil garrafas.

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