Meio século de Vinhos Norte com a terceira geração ao leme

Com uma vintena de marcas no mercado, presença em 16 países e uma produção anual de quatro milhões de litros em termos globais, os Vinhos Norte assinalam meio século de existência com uma aposta em maior qualidade e em nichos de mercado.

A terceira geração da família Carvalho Lima está já ao leme da empresa minhota que faz do orgulho no percurso traçado pelos antecessores uma das alavancas que proporcionam entusiasmo, dinamismo e aposta em mais qualidade dos vinhos, nomeadamente das marcas Cruzeiro, Tapada dos Monges e da topo de gama Miogo, que saem da moderna adega construída, em 2005, em Várzea Cova, no extremo norte do concelho de Fafe.

Foi ali, a dois passos do Confurco, troço da classificativa da Lameirinha, palco famoso dos ralis à escala mundial, que tudo começou; era o local do armazém, com habitação no piso superior, do avô dos irmãos Graciete, Vera e Vítor, que sucederam ao pai Joaquim Carvalho Lima na gestão dos Vinhos Norte.

Passaram algumas décadas desde os tempos em que Manuel Costa Carvalho Lima vendia vinhos no armazém de permeio com a criação de gado, atividade complementar à agricultura de subsistência de um território pobre, desfavorável à cultura da vinha.

Perpetuando essas memórias familiares, tão ricas em saberes, a família fez do local o centro de toda a atividade no setor vinícola. Algumas das vinhas estão localizadas muito perto dali, mas outras situam-se noutras latitudes das sub-regiões do Ave e de Basto dos Vinhos Verdes.

A casta Loureiro é a mais representativa no leque em que figuram, para produção dos vinhos brancos, Arinto, Trajadura, Azal e, mais recentemente, Alvarinho, na sub-região de Basto, e Fernão Pires.

Para elaboração dos tintos, Vinhão e Espadeiro, casta utilizada na produção de vinho rosé, Padeiro de Basto, Amaral e Touriga Nacional, esta última ainda em fase experimental. Mostrar o potencial da região é o objetivo traçado para eventual lançamento de mais uma novidade dos Vinhos Norte no mercado.

Produção anual de quatro milhões de litros

A produção anual própria é de um milhão de litros, sendo 800 mil litros de vinho branco e os restantes 200 mil litros de tinto.

A esta quantidade são adicionados três milhões de litros obtidos através da compra de uvas a dezenas de pequenos viticultores, graças a um modelo de negócio e filosofia semelhantes aos das cooperativas.

O recurso ao aluguer a longo termo de vinhas é outra das apostas para conseguir atingir aqueles números, que garantem presença em 16 países, com Brasil e Estados Unidos em destaque nos vinhos mais leve e o Japão no segmento premium, a justificar outro topo de aposta: produzir menos e com maior qualidade é um dos objetivos traçados, bem como direcionar para nichos de mercado algumas das 20 marcas do diversificado portefólio, muito diferente dos primeiros tempos em que imperavam os vinhos tintos, rústicos e difíceis de beber.

Vinhão: harmonia perfeita com a vitela assada à moda de Fafe

A vindima deste ano foi difícil, devido à chuva e proporcionou menor quantidade, na ordem dos 15 a 20%.

O porfiado trabalho dos enólogos Carlos Magalhães (consultor) e Nuno Silva (residente) foi bem conseguido: a prova dos novos brancos 100% Loureiro, com as tradicionais notas florais e a revelar maior acidez, e 100 por cento Alvarinho, bem estruturado, deixou perceber, desde já, boa qualidade.

Nota elevada merece o vinhão, mal-amado por tantos: sem arestas, nada agressivo, provado na típica caneca de porcelana, harmonizou na perfeição coma icónica vitela assada à moda de Fafe. Um pitéu muito saboroso, graças à qualidade da matéria-prima, ao tempero e à assadura, e que está em fase de certificação, processo que conta com o entusiástico apoio da respetiva Confraria, que marcou presença (foto) na prova,

Edição limitada do espumante Miogo e outras novidades

Para assinalar os 50 anos da empresa, os Vinhos Norte vão lançar em breve uma série limitada -apenas uma centena de garrafas magnum - do espumante Miogo Bruto Super Reserva. Bolha muito fina e persistente, elegante, é espumante de classe e que justifica o estatuto.

Em 2.º edição, após a série de 2019, o Miogo 2020, que assinala igualmente os 50 anos da empresa de Fafe, é o primeiro vinho a ser lançado com estágio em barricas de carvalho, uma vez que até agora, o estágio era feito, exclusivamente, em cubas de inox.

Um vinho marcante, fora da caixa, como é usual dizer-se por estes dias, com enorme potencial de guarda, feito com 80 por cento de Alvarinho e os restantes 20 por cento com Loureiro.

Está disponível apenas em garrafas magnum, tendo sido lançadas no mercado 500 garrafas numeradas.

O Miogo 2018, com 80% de Arinto; 10% de Loureiro e igual percentagem de Alvarinho, com estágio apenas em inox, revelou-se muito gastronómico, tal como o Alvarinho 2009, o primeiro lançado pela empresa.

Ambos harmonizaram na perfeição com as propostas idealizadas pelo chefe Marco Gomes (restaurante Oficina, Porto), que interpretou, uma vez mais, de modo sublime, os produtos locais com as modernas técnicas da cozinha.

Em cenário bucólico, na aldeia do Pontido, bem recuperada para o turismo rural, com as águas do rio Vizela a correrem, pressurosas, sob denso arvoredo entre graníticos penedos, fizeram-se ouvir as pancadas certeiras

do viril jogo do pau, em temerária demonstração protagonizada pelos elementos do Centro Cultural e Recreativo de Cepães.

Mas, não era necessário fazer justiça à moda de Fafe para enaltecer as novidades da marca Miogo, topo de gama dos Vinhos Norte em ano de cinquentenário.

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