O chef de coração azul e branco e a conquista das estrelas portistas

Mais um desafio a marcar carreira profissional que vai já nas duas décadas.

Do «Laboratório Bitaites», designação algo excêntrica de uma série de eventos gastronómicos tripeiros fora da caixa, a chef executivo da equipa principal do F.C. Porto, o clube do coração, Álvaro Costa atingiu um novo patamar, tão específico, quanto exigente.

Um marco agora atingido e assinalado por Álvaro Costa que, ao longo dos anos oficiou em muitas cozinhas, confessou mesmo "ser um salta-pocinhas, acumulou experiências, mas não riqueza, antes amizades".

Um percurso multifacetado, trilhado a partir do portuense hotel Méridien, de anos idos, ao restaurante do hotel Meira, em Vila Praia de Âncora, onde lidera projeto culinário com marca de qualidade.

"Continuo a ser o que sempre fui, a cozinhar à portuguesa e a reunir os amigos." Sem papas na língua, não escondeu que tem "orgulho em ser cozinheiro", com uma preocupação a servir de lema: "Adotar a exigência de cada hotel à gastronomia portuguesa."

Desde há um ano que Álvaro Costa, seguindo outro caminho, desenvolve projeto meritório em Vila Praia de Âncora: colocou no mapa gastronómico o restaurante do remodelado hotel Meira, um símbolo da região, com histórica tradição familiar no domínio culinário.

Exemplo da aposta nos ingredientes e nos sabores daquele rincão minhoto é a carta de inverno, onde os pratos refletem imaginação e contemporaneidade, expressam a identidade da matéria-prima e fidelidade ao receituário antigo.

Bacalhau à S. Lourenço da Montaria; costeleta de javali com feijão e carqueja; codorniz em conserva de cenoura, creme de grão e especiarias e o divinal creme de alheira perfumada de trufa branca, que faz delirar o palato, na linha da tão aclamada e estival cabidela do mar, são propostas marcantes que espelham tradição vestida de suculenta modernidade.

O hotel Meira foi cenário ideal para o chef Álvaro Costa, fiel aos seus princípios e a proverbial grande informalidade, continuar a "dar palco aos amigos, aos parceiros e ao vinho".

E foram quase duas dezenas os "mestres de culinária", os chefs metidos em brios, que se aprimoraram na confeção de um sápido creme de abóbora, gengibre e camarão ou de divinais molejas; da sopa da pedra ou das tripas à moda do Porto e ao risotto de queijo servido pelo anfitrião, qual mestre-de-obras com capacete e utensílios apropriados, ou não fosse a 9.ª Arte também uma forma de espetáculo. Para surpreender.

Um telefonema caído do céu

"Sempre tentei que algo de semelhante acontecesse nos espaços onde trabalhei. É algo que não retira formalismo ao resto do dia", sublinhou Álvaro Costa, que há poucos dias recebeu um telefonema muito especial:

"Ligaram-me a convocar para uma reunião no Estádio do Dragão. Desloquei-me lá e nesse encontro propuseram-me ser chef executivo da equipa principal de futebol. Possuíam outras referências, mas eu tinha o perfil."

Aceite o desafio, Álvaro Costa, famalicense de gema e dragão convicto, entregou-se de corpo e alma a tão exigente frente. Já acompanhou a equipa a Glasgow e está de malas feitas para a Suíça, palco do próximo compromisso do FC Porto para a Liga Europa.

"Estamos sempre ligados às necessidades de cada jogador", sublinhou o chef, que encontrou os ingredientes indispensáveis para a receita (futebolística) ideal: está no clube do coração.

"É a vida", sublinhou com um largo sorriso.

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