The Yeatman: a primeira década em livro com cheiros e sabores

Em 2010, The Yeatman, hotel vínico de luxo, abriu portas na margem gaiense do Douro.

Para assinalar a efeméride, "A Primeira Década" celebra uma história de sucesso e é uma ode em dez capítulos ao vinho português, à gastronomia premiada com duas estrelas Michelin, e um tributo à cidade do Porto.

É, literalmente, uma obra de peso, com 390 páginas de grande qualidade gráfica, para dar conta que existe uma história por detrás do The Yeatman, um nome de família, oriunda de Dorset, perto de Dorchester e desde 1838 ligada ao vinho do Porto através da Taylor.

Em 2006, em plena recessão económica, foi traçado o projeto de construção de um hotel que definisse o Porto como destino turístico, promovesse e dignificasse os vinhos portugueses e a gastronomia. Algo de temerário para os tempos de crise que se viviam.

O hotel demorou 20 meses a ser construído e representou um investimento inicial de 32 milhões de euros, acrescidos de mais 10 milhões, em 2017, para aumento da capacidade para 109 quartos, ou seja, mais 26 em relação à primeira fase.

Adrian Bridge, CEO do The Yetman, sublinhou que «à época, o hotel nasceu para o mercado de lazer e não para a área de negócios e empresas, que imperava no Porto. A taxa de ocupação mais elevada registava-se no mês de fevereiro e não em julho e agosto, meses mais fracos do turismo no Porto».

Dez anos volvidos, Adrian Bridge referiu que "The Yeatman foi um projeto catalisador em termos de mercado turístico de lazer, uma vez que o Porto é um destino com muita história, cultura, gastronomia e arquitetura. O hotel veio dar maior visibilidade e repor alguma justiça, digamos, à zona histórica do vinho do Porto, presente em 103 países".

De acordo com aquele responsável, «o sucesso foi evidente com a vinda turistas de todo o mundo; no entanto, o hotel teve impacto igualmente significativo noutro domínio, ao mostrar aos habitantes do Porto que o destino dava confiança para atrair novos investidores».

Carta de vinhos exemplar

Ao longo dos dez capítulos do livro que, a páginas tantas, abre mesmo o apetite, ficamos a saber 10 factos sobre o The Yeatman e a conhecer a equipa de vinhos e do restaurante, uma vez que a gastronomia continua em ascensão neste hotel vínico por excelência.

Tal estatuto está associado à matriz inicial, com a ligação ao vinho: a personalização de cada quarto para dar a conhecer os melhores vinhos e produtores de todo o país é uma das facetas marcantes do hotel, cuja garrafeira comporta 40 mil garrafas e que apresenta uma carta com 1400 referências, 109 a copo, um "wine book" elaborado por Beatriz Machado, diretora de vinhos da The Fladgate Partnership.

«É a melhor carta de vinhos portugueses em todo o mundo», sublinha Adrian Bridge. «Os hóspedes estão interessados em vinhos portugueses», justificou.

No capítulo de celebrações báquicas associadas ao conceito do hotel, estão os famosos (e concorridos) jantares vínicos às quintas-feiras, em que um produtor apresenta os seus vinhos, e eventos sazonais como as "Sunset Wine Parties" e "Christmas Wine Experience", por ora cancelados em consequência da pandemia, e que reforçam o estatuto de referência do hotel neste domínio, ampliado com os premiados tratamentos de spa à base de vinoterapia.

Gastronomia de alto nível

Associado à aposta nos vinhos, o conceito gastronómico, inspirado na gastronomia nacional, mas cultivado desde a primeira hora pelo chef Ricardo Costa, com arte e engenho para recriações culinárias de alto nível, tem sido alvo de justas distinções: a conquista de uma estrela Michelin (2011) e a atribuição de duas estrelas (2016).

O vasto capítulo - 100 páginas - que define os 10 estilos de vinho, apresenta uma centena de referências e igual número de harmonizações que deixam imaginar saborosa viagem, marcada por cores, cheiros e sabores, até ao The Restaurant - localizado onde esteve, inicialmente, para er construída a piscina e os courts de ténis - ou ao The Orangerie, um espaço mais informal.

"O vinho está na nossa génese e continuará a ser aquilo que nos torna intemporais, que une o passado ao presente", sublinhou Adrian Bridge, otimista quanto ao futuro.

Para esquecer estes tempos incertos, responsáveis pela não celebração, com pompa e circunstância, do 10.º aniversário do hotel que mudou o paradigma nortenho.

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