Vinha do Convento: ver para crer

A Vinha do Convento, em Almeirim, plantada integralmente em calhau rolado, é "a menina dos olhos" da Falua, empresa que detém 100 hectares na Região Tejo e acaba de lançar novas referências.

O jipe estanca à entrada da Vinha do Convento. O caminho empoeirado termina ali e à nossa frente, sob um sol dardejante, estendem-se os 40 hectares da Vinha do Convento plantada, literalmente, em calhau rolado a sul de Almeirim.

Fazemos marcha-atrás no tempo e recuamos uns 400 mil anos. Imaginamos as águas do rio Tejo a passarem por ali, mais ou menos pressurosas, moldando o terreno e deixando um rasto pedregoso a caminho da foz.

Hoje, é tudo pedra, sem um palmo de terra. O curso do rio situa-se a uma légua dali, mais para oeste, mas do antigo leito ficaram as marcas da continuada erosão, uma impressionante área só de calhau rolado, sem areia, estendendo-se, a perder de vista. É algo que só ali existe. Um cenário espantoso, raiando o inacreditável!

É a Vinha do Convento, propriedade da Falua, em todo o seu esplendor.

De facto, é ver in loco aquele rincão da charneca para crer que uma vinha foi ali plantada, com sucesso, há 26 anos.

Todo o trabalho ali feito é manual, da poda à vindima e à simples limpeza das ervas. A única exceção, revela Antonina Barbosa, enóloga e diretora-geral da Falua, para quem esta vinha é algo de muito especial, "é a pulverização contra as doenças. Não utilizamos herbicidas", sublinha a engenheira que implantou um sistema de rega direcionado para os meses mais quentes, nomeadamente julho e agosto, "para arrefecer o calhau rolado, uma vez que a pedra funciona como um termóstato".

"Acumula calor e, como por vezes há diferenças de temperatura da ordem dos vinte graus, compensa esse arrefecimento. A profundidade média das raízes implantadas num subsolo 100% pedregoso é de cinco metros, embora possa atingir dez metros", explica.

45 hectares de calhau rolado

Nestes 40 hectares de vinha - a área total de calhau rolado é de 45 hectares - as castas autóctones Trincadeira das Pratas e Itália, plantadas inicialmente e menos produtivas, cederam o lugar às tintas Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Aragonez, Castelão Trincadeira, Alicante Boushet e às brancas Arinto, Fernão Pires e Chardonnay.

Entretanto, a Vinha do Convento passou a contar com mais 30 hectares e, numa área experimental, foi plantada a casta Verdelho, Verdelho.

Das uvas da Vinha do Convento, que apresenta nesta altura do ano um cenário promissor e pujante, que deixa perspetivar - se tal é possível... - uma vindima de qualidade, são produzidos os melhores vinhos da Falua.

No vasto portefólio da empresa, que detém cerca de 100 hectares de vinha na Região Tejo, os vinhos das marcas Conde de Vimioso, Falua e Vinha do Convento são produzidos unicamente com uvas de vinhas próprias.

Nos anos excecionais, é lançado o Vinha do Convento, de caráter mais exclusivo, sem dúvida um vinho especial, de enorme qualidade.

Falua Duas Castas: novo conceito

Entretanto, a marca Falua foi reativada com um novo conceito para o mercado nacional, associando o terroir e a casta a vinhos com história.

O vinho Falua Duas Castas é produzido com as duas melhores castas de cada ano: Branco (Verdelho e Arinto), a revelar frescura e boa acidez; Rosé (Touriga Nacional e Syrah), muito equilibrado e elegante, e Tinto (Cabernet Sauvignon e Aragonez),

Foram ainda lançadas mais três referências Falua Unoaked (sem contacto com madeira), vinhos com menos intervenção e produzidos para evidenciar as castas selecionadas, apenas com uvas da Vinha do Convento: Branco 2019 (Fernão Pires); Reserva Tinto 2018 (Touriga Nacional) e Unoaked e Undated Cabernet Sauvignon, Unoaked e Undated (sem data).

Um trio de referências de qualidade assinalável e que valoriza sobremodo a gama da Falua.

Práticas amigas do ambiente

Os vinhos são produzidos e estagiam na moderna adega da empresa, inaugurada em 2004, em Almeirim, no Ribatejo, com uma capacidade de três milhões de litros.

As boas práticas ambientais são algo mais que pura retórica: uma ETAR própria, que permite a poupança de água; a instalação de painéis solares que representam 30% da energia e permitem a ligação a bombas de calor sem gastos adicionais em termos de produção.

A exportação representa cerca de 80% das vendas, figurando o Reino Unido, Polónia, Brasil, Estados Unidos, África como os principais mercados.

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