Cavalaria norte-americana prepara-se para viajar para a Europa

A Cavalaria norte-americana pode ter trocado os cavalos por carros blindados e helicópteros, mas há coisas que não mudam: os oficiais ainda usam chapéus de aba larga e ainda se descrevem como as unidades que vêm salvar o dia.

A poucas semanas de partir para a Europa, na rotação reforçada da operação Atlantic Resolve (ao abrigo da NATO), a Equipa de Combate da 1.º Brigada Blindada da 1.ª Divisão de Cavalaria dos Estados Unidos faz os últimos preparativos para os nove meses de mobilização.

No total, a equipa de combate da 1.ª Brigada Blindada vai enviar 87 carros de combate M1A2 Abrams, 145 veículos blindados de combate Bradley, 18 blindados de artilharia pesada Howitzer e cerca de 4.000 soldados. Ficarão estacionados principalmente na Polónia, mas o comandante da força acredita que a mensagem passa aos outros aliados da NATO.

"Aqui o que conta é mostrar empenho e determinação aos nossos aliados da NATO", salienta à agência Lusa o coronel Wilson "Trey" Rutherford IV, questionado sobre a mensagem que a chegada de uma força destas à Europa pode ter para os cidadãos de um país como Portugal, afastado do palco principal da operação, no Leste europeu.

"Para enviar dos Estados Unidos para a Europa uma equipa de combate em forma de Brigada Blindada é preciso, quase literalmente, um ato de Deus. E quando acontece alguma coisa, não podemos sair à pressa. Os aviões voam dali para fora, os navios podem fugir a navegar, mas se queremos mostrar uma determinação persistente, envia-se uma brigada blindada, os pesados", diz o coronel.

As unidades do 3.º Corpo de Blindados dos EUA têm muitas alcunhas - "Guerreiros Fantasma" ou "O Martelo da América" - que foram ganhando devido à intervenção nos vários conflitos pelos quais passaram. Mas aqui em Fort Hood, no Texas, preserva-se a imagem da cavalaria retratada nos filmes de Hollywood.

Os oficiais (incluindo os sub-oficiais, como os sargentos-chefe) usam os tradicionais chapéus pretos de aba larga, com a insígnia dos sabres cruzados e os cordões dourados com bolotas na ponta.

Com 1,90 e cabeça completamente rapada, o coronel Rutherford faz lembrar a personagem interpretada por Robert Duvall no filme "Apocalipse Now" em tudo menos no discurso, sem sobressaltos e sorriso aberto. Sobre Portugal, diz que teve "a honra" de trabalhar com observadores militares portugueses das Nações Unidas.

"Muito profissionalismo. Foi excelente trabalhar com eles, especialmente porque estavam num estranho ambiente: eram os tipos desarmados que tinham de trabalhar com base na confiança", salienta o coronel, recordando os tempos das missões na antiga Jugoslávia, na fronteira da Sérvia, da Macedónia, Albânia e Kosovo.

A NATO tem repetido que o seu papel - e o dos aliados mais fortes no seio da Aliança - é o de repelir todas as ameaças, fazendo questão de reforçar a ideia de que além do Flanco Leste - onde permanece uma ameaça da Rússia - também existe um Flanco Sul, no qual se inclui Portugal, que tem de lidar com o terrorismo.

No entanto, em Fort Hood a atenção está virada para a fronteira leste, para a Polónia e para a Letónia, onde existem bases russas a menos de 30 quilómetros da fronteira.

É sobretudo nisso que pensa o coronel Rutherford e os cerca de 4.000 soldados (45% deles a sair dos Estados Unidos pela primeira vez).

"Se as coisas ficarem duras, nós estamos lá. Porque a Cavalaria não se vai embora", conclui.

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