Espetáculo "aCORdo" "vai abordar vários legados brasileiros" no Festival Dias Da Dança

Porto, 27 abr 2019 (Lusa) - O Festival Dias Da Dança (DDD) recebe "aCORdo", uma coreografia de Alice Ripoll, que se estreia no domingo em Portugal, na Casa da Arquitetura, em Matosinhos, às 19:00, com entrada gratuita.

Até 07 de maio, o DDD leva a Porto, Matosinhos e Gaia vários espetáculos nacionais e internacionais, como a peça "aCORdo", da brasileira Alice Ripoll com a Cia. REC, que vai passar pelas três cidades.

"É uma sensação forte estar em Portugal pela primeira vez", admitiu Alice Ripoll numa conversa com a imprensa, no Teatro Rivoli, no Porto.

A obra tem como objetivo questionar o que ficou como "legado para a cidade [Rio de Janeiro] após os grandes eventos que, supostamente, iriam trazer melhores condições de vida aos seus habitantes, como o Mundial de Futebol, em 2014, e os Jogos Olímpicos, em 2016", explicou a coreógrafa da Cia. REC.

"'aCORdo' é uma performance para todos os espectadores, em que a gente vai abordar vários legados brasileiros, como a violência policial, mas não de uma forma competitiva. Aliás, pode ter várias leituras", disse a coreógrafa brasileira.

Em 2007, a coreógrafa dava aulas de dança numa organização não-governamental (ONG) para jovens da Chácara do Céu, uma favela no Rio de Janeiro.

Durante o primeiro processo de criação, a ONG terminou a parceria com a coreógrafa, mas o grupo continuou, sem patrocinadores ou apoios, e chegou a ensaiar numa antiga igreja.

Composta pela diretora Alice Ripoll e pelos intérpretes criadores Alan Ferreira, Leandro Coala, Tony Hewerton e Rômulo Galvão, a Cia. REC apresenta "aCORdo", um espetáculo de 30 minutos.

"Neste espetáculo, que ocorre sempre numa sala fechada, numa metáfora ao espaço restringido à liberdade, estão dispostas cadeiras encostadas à parede e quatro bailarinos, no centro", explicou.

A coreógrafa apresentará, também, "Cria", da Cia. Suave, no dia 04 de maio, às 19:00.

"E sou 'cria' da favela tal. 'Cria' é uma expressão que representa uma posição no Brasil e é muito usada nas favelas", afirmou Alice Ripoll.

A obra "Cria" convoca as danças urbanas brasileiras, como a 'dancinha' e o 'passinho', nascidos do 'funk', para criar uma nova técnica.

"Nóis é cria, não é criado", é o lema do grupo de bailarinos brasileiros do espetáculo.

O DDD+FITEI (junção entre o festival Dias da Dança e o Festival Internacional de Teatro de Expressão Ibérica) decorre em 32 dias com 40 atividades de formação e 66 espetáculos de dança e teatro com artistas provenientes de 10 países.

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