Instituto do Porto em consórcio que visa a promoção de boas práticas na ciência

O Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S), no Porto, integra um consórcio europeu que visa, com um financiamento de 2,4 milhões de euros, desenvolver ferramentas que "promovam boas práticas e a integridade na investigação e no ensino".

"O projeto surge da necessidade que existe no contexto europeu de capacitar as instituições de investigação e do ensino superior com mecanismos que promovam as boas práticas e evitem as más condutas, como por exemplo o plágio", afirmou hoje Anna Olsson, investigadora do i3S responsável pelo projeto em Portugal.

Em entrevista à agência Lusa, a líder do grupo 'Laboratory Animal Science' do i3S, explicou que o projeto, intitulado INTEGRITY e iniciado em fevereiro, vai começar por "mapear o cenário europeu", apesar da geografia e das estratégias de ensino serem "muito diversas".

O consórcio, financiado pelo programa Horizonte2020 e constituído por 11 instituições europeias dos Países Baixos, Irlanda, Dinamarca, Portugal, Suíça, Hungria, Lituânia, Eslovénia e Suécia, tem como principal objetivo o desenvolvimento de "ferramentas", tais como, plataformas interativas 'online', cursos massivos (MOOCs) e filmes interativos.

"É importante reconhecer que toda a comunidade académica percebe que este tipo de ensino é importante e urgente. É preciso desenvolver e pôr em prática em muitos sítios, o que implica que muitas pessoas se envolvam e que utilizem estas ferramentas de apoio tendo em vista a aplicação ao ensino", apontou.

Segundo Anna Olsson, a promoção da integridade científica é uma questão "fundamental", na medida em que são cada vez mais os "desafios" que existem na comunidade académica.

"O contexto da investigação é cada vez mais competitivo, há cada vez mais pressão para apresentar os resultados que, de preferência, não sejam demasiado complexos ou difíceis de perceber", frisou.

No âmbito do projeto, que tem a duração de três anos, os três investigadores do i3S são responsáveis pela disseminação e divulgação da informação, estando também envolvidos no desenvolvimento de questionários que servirão para ajudar no mapeamento e criação de novas técnicas.

Anna Olsson, também docente de ética e integridade científica nos programas doutorais do i3S, adiantou que os questionários vão ser aplicados durante o segundo semestre deste ano a jovens da licenciatura, mestrado, doutoramento e investigadores, com o propósito de "ir ao encontro das suas preocupações".

"Este projeto não é apenas sobre os grandes escândalos ou sobre desonestidade e má intenção, é sobre os desafios que todos os académicos enfrentam ao longo de sua carreira", concluiu.

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