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2018: Ano generoso para cientistas portugueses

O ano de 2018 revelou-se generoso para cientistas portugueses, especialmente para o casal Elvira Fortunato, que ganhou a maior bolsa europeia atribuída a um investigador em Portugal, e Rodrigo Martins, que assumiu a presidência da Academia Europeia de Ciências.

A ciência portuguesa foi igualmente notícia em 2018 através da astrónoma Teresa Lago, que em agosto tomou posse do cargo de secretária-geral da União Astronómica Internacional, entidade que reconhece oficialmente os nomes atribuídos a corpos celestes, como planetas ou asteroides.

Este ano também se destacou o investigador Henrique Veiga-Fernandes, do Centro Champalimaud, que ganhou um prémio criado pelo cofundador da Microsoft Paul Allen, que morreu em outubro, e concedido pela primeira vez a um cientista em Portugal.

Veiga-Fernandes recebeu o prémio "Allen Distinguished Investigator" no valor de 1,5 milhões de dólares (1,3 milhões de euros), pelo trabalho sobre a forma como o sistema nervoso e o sistema imunitário interagem no corpo humano para o proteger das infeções.

Maria Manuel Mota, especialista no estudo do parasita da malária, foi notícia este ano pelas boas e más razões.

A diretora-executiva do Instituto de Medicina Molecular João Lobo Antunes, que recebeu o Prémio Pessoa 2013 e o Prémio Pfizer 2017, somou mais uma distinção em 2018, o Prémio Sanofi-Instituto Pasteur, no montante de 150 mil euros.

Apesar do reconhecimento, a cientista e comendadora da Ordem do Infante D. Henrique concorreu, sem sucesso, a um contrato de investigador-principal no concurso de estímulo ao emprego científico lançado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia, principal entidade que financia a investigação em Portugal e está na dependência do Governo.

Elvira Fortunato, 'mãe' do papel eletrónico, voltou este ano a ser contemplada com uma bolsa do Conselho Europeu de Investigação (CEI), organismo da Comissão Europeia que apoia a investigação científica considerada de excelência.

A especialista em novos materiais, que é vice-reitora da Universidade Nova de Lisboa, foi a primeira cientista em Portugal a receber uma bolsa do CEI. Foi em 2008 e tinha o valor de 2,5 milhões de euros, que lhe permitiu instalar um laboratório de nanofabricação.

Passados dez anos, foi-lhe atribuída uma bolsa do CEI no montante de 3,5 milhões de euros, o máximo para estas bolsas.

Novamente, Elvira Fortunato foi a primeira cientista em Portugal a obter este financiamento, com o qual espera montar um novo laboratório, desta vez de nanocaraterização avançada.

O marido, Rodrigo Martins, tornou-se em abril o primeiro português a assumir o cargo de presidente da Academia Europeia de Ciências, instituição que concedeu em 2016 a Medalha Blaise Pascal à mulher, Elvira.

O 'pai' do papel eletrónico (em parceria com a mulher) foi eleito pelos academistas para um mandato de quatro anos e definiu como prioridades a abertura da Academia Europeia de Ciências aos investigadores mais jovens e aos cidadãos e a promoção do diálogo entre as diferentes academias e sociedades científicas.

Perito em materiais semicondutores e microeletrónica, Rodrigo Martins dirige o Grupo de Materiais para Eletrónica, Optoeletrónica e Nanotecnologias do Centro de Investigação de Materiais (CENIMAT), centro que está associado à Universidade Nova de Lisboa e do qual é diretora a sua mulher.

Teresa Lago, que criou a primeira licenciatura de astronomia em Portugal e fundou o Centro de Astrofísica da Universidade do Porto, ocupará o cargo de secretária-geral da União Astronómica Internacional, o mais importante, até 2021.

Em 2018, o seu percurso científico e académico foi igualmente reconhecido no país, com o Grande Prémio Ciência Viva Montepio, atribuído pela Ciência Viva - Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica e pela associação mutualista Montepio.

A Fundação Champalimaud recebeu, por seu lado, 50 milhões de euros da família dos fundadores da Danone para a construção de um centro de pesquisa e tratamento do cancro do pâncreas.

O novo centro será construído no terreno situado ao lado do atual edifício da Champalimaud, em Lisboa, e a sua abertura está prevista para outubro de 2020, dez anos depois da inauguração do "Centro Champalimaud para o Desconhecido".

Este ano, o Grupo de Física da Informação e Tecnologias Quânticas do Instituto de Telecomunicações também se destacou, ao 'ganhar' um projeto europeu no valor de dez milhões de euros que pretende construir, nos próximos três anos, o primeiro protótipo da futura internet quântica, "uma rede que poderá permitir comunicações privadas a longa distância, assim como ligar em rede computadores quânticos e sistemas de sensores quânticos".