Cavalo de Ferro reedita dois clássicos da literatura há muito afastados das livrarias

"Coração duplo", do escritor francês Marcel Schwob, livro de 1831 que inaugurou um novo tipo de literatura fantástica, e "Casa de campo", de 1978, do premiado escritor chileno José Donoso, foram este mês reeditados pela Cavalo de Ferro.

Há muito afastados das livrarias, o livro de contos "Coração duplo", que marcou a estreia literária de Marcel Schwob, e o romance "Casa de campo", que valeu ao autor, José Donoso, o Prémio da Crítica de Espanha e o Prémio Nacional de Literatura do Chile, são dois livros que marcaram as suas épocas, o primeiro por ter inaugurado um estilo, o segundo por ser um romance de crítica subtil à ditadura chilena.

As histórias de Marcel Schwob baseiam-se no conceito aristotélico do "terror e piedade", que Schwob considerava deverem estar na base de toda a ficção.

São "histórias que inauguram um novo tipo de literatura fantástica, onde o absurdo e o sobrenatural se encontram com o humor negro, e o medo espreita na fantasia do sonho", diz a editora.

Considerada uma "obra fundamental" de Schwob, "Coração duplo" foi uma "influência maior para o surrealismo vindouro de André Breton ou o imaginário de Jorge Luís Borges", destaca a Cavalo de Ferro.

Sob o signo do "terror e piedade", desfilam, ao longo das páginas deste livro, cenários de banquetes faustosos na antiga Roma, ambientes góticos da Paris medieval ou relatos apocalípticos de sociedades futuras.

"Casa de campo" é uma alegoria sobre o poder e a rebelião, que na verdade retrata a psicologia decadente da estrutura social do Chile de Pinochet.

"Erguido ferozmente na placidez da casa de campo, o esplendor de pulsões reprimidas torna-se o início de uma rutura radical com a ordem imposta e a instauração de um novo mundo anárquico e exuberante", relata a editora.

Nesta história, a aristocrática família Ventura reúne-se todos os verões na rica e imponente propriedade de Marulanda, gozando a tranquilidade do campo longe da civilização.

Aproveitando a ausência temporária dos adultos por um dia, as trinta e três crianças presentes assumem o controlo da casa, transformando os luxuosos salões, escadarias, quartos e corredores labirínticos num domínio de transgressão, erótico e febril.

Este universo criado pelas crianças acaba por se revelar um mundo "mágico, anárquico e exuberante, mas igualmente perverso e doloroso", escreve a editora, na aresentação.

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