Investigadores vão avaliar exposição dos bombeiros à poluição atmosférica

Duas faculdades da Universidade do Porto juntaram-se ao Centro Hospitalar Universitário de São João para dar início a um projeto que visa avaliar os "efeitos da exposição à poluição atmosférica" dos profissionais de combate aos incêndios.

Em declarações à agência Lusa, Sofia Sousa, investigadora no Laboratório de Engenharia de Processos, Ambiente, Biotecnologia e Energia (LEPABE) e responsável pelo "ArRiscO", contou hoje que o projeto começou a ser idealizado "há cerca de um ano", no âmbito do Concurso de Projetos de Investigação Científica e Desenvolvimento Tecnológico no Âmbito da Prevenção e Combate a Incêndios Florestais da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT).

"O combate aos incêndios continua a estar entre as ocupações mais perigosas, no entanto, menos estudadas em termos de impacto de exposição a doenças ocupacionais, nomeadamente no que diz respeito à Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) e à asma", salientou a investigadora.

Com o propósito de "avaliar os efeitos da exposição a longo prazo à poluição atmosférica", as faculdades de Engenharia e Medicina da Universidade do Porto juntaram-se ao Centro Hospitalar Universitário de São João (CHUSJ) e arrancaram, na semana passada, com "o estudo caso-controlo" em técnicos de combate aos incêndios florestais.

"Em particular, os técnicos de combate a incêndios florestais correm maior risco de efeitos adversos na saúde devido à exposição a níveis elevados de substâncias potencialmente nocivas durante o seu trabalho", apontou a investigadora.

Segundo Sofia Sousa, uma vez que o objetivo do "ArRiscO" passa por perceber o impacto da exposição "aos poluentes atmosféricos" no desenvolvimento de DPOC e asma, a equipa de investigadores vai "monitorizar os poluentes" e "avaliar a exposição".

"Para isso, iremos monitorizar os poluentes atmosféricos para avaliar a exposição dos técnicos de combate, e iremos diagnosticar DPOC e asma com base em ferramentas validadas, nomeadamente questionários e testes médicos. Sendo um estudo de caso-controlo, os casos serão os técnicos que atuam diretamente no combate e os controlos serão os que não o fazem", esclareceu.

À Lusa, a investigadora disse que "não pode ainda divulgar" que corporações de bombeiros e quantos profissionais de combate a incêndios são abrangidos pelo estudo.

O projeto "ArRiscO - Exposição ocupacional dos bombeiros à poluição atmosférica -- impacto na DPOC e asma" foi financiado pela FCT em 199.963 mil euros para os próximos três anos.

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