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Peter Campus e Maichael Snow dois históricos da videoarte expõem na Culturgest

Os artistas Peter Campus e Michael Snow, dois pioneiros na área da videoarte, cujas obras proporcionam experiências interativas e imersivas ao público, vão ser alvo de exposições que são inauguradas na sexta-feira, na Culturgest, em Lisboa.

Ambos estiveram hoje a acompanhar os jornalistas numa visita guiada antes da inauguração, prevista para sexta-feira, às 22:00, para falar sobre o seu trabalho, que remonta aos anos 1960 e 1970, e marcou a História das artes visuais.

Peter Campus, artista norte-americano de 83 anos, pela primeira vez a mostrar o seu trabalho em Portugal, apresenta peças em vídeo que percorrem mais de quatro décadas na exposição "Vídeo ergo sum", com curadoria de Anne-Marie Duguet.

Nalgumas das peças usou vídeo e espelho que refletem as imagens do público que as observa, repetidas em vários momentos, num efeito que "gera alguma confusão nas pessoas, porque questiona as noções de espaço e de tempo", disse aos jornalistas.

Figura histórica da área do vídeo, Campus é um artista seminal para os cânones da arte vídeo e dos novos media, e tem vindo a expor os seus trabalhos em museus, sobretudo nos Estados Unidos e na Europa, e esta sua exposição é organizada pelo Jeu de Paume, em Paris, em colaboração com a Culturgest.

Questionado pela Lusa sobre a circunstância de expor em Portugal pela primeira vez, Peter Campus revelou que tinha curiosidade de conhecer o país de onde foram expulsos os seus antepassados, no século XV, por serem judeus.

"É uma história que a minha família contava. Agora estou aqui e parece-me uma cidade muito tranquila, e onde sinto conforto", comentou.

Sobre os vídeos antigos que apresenta na Culturgest, diz que "gosta mais de uns do que de outros", mas o que fez na juventude tinha outro objetivo: "Provocar uma certa angústia, enquanto atualmente estou mais voltado para mostrar a natureza".

Relativamente ao uso crescente do vídeo e das novas tecnologias na arte, o artista norte-americano considera que "a tecnologia é um instrumento como outro qualquer para criar, e é muito útil".

"Sempre usei a tecnologia não como um fim em si mesmo, mas como uma ferramenta, com os meus objetivos", disse o artista que gosta de criar jogos com a realidade, colocando várias câmaras que criam sequências de imagens.

A exposição "O Som da Neve" ("The Sound of Snow") apresenta o trabalho fílmico, videográfico e sonoro do artista canadiano Michael Snow (neve), nascido em Toronto, em 1928.

Com um percurso que atravessa as artes visuais, utilizando os mais variados suportes -- pintura, escultura, fotografia, filme e vídeo --, a sua prática estende-se à música improvisada, ao cinema experimental e à instalação sonora.

Atualmente com 89 anos, Michael Snow acompanhou os jornalistas explicando as suas peças, entre elas "W in the D", uma instalação sonora na qual se ouvem os seus assobios.

"Eu enchia o peito de ar e assobiava para o microfone, criando frases de som. Cada sequência é completamente diferente e não tem qualquer manipulação digital", comentou.

De acordo com Delfim Sardo, programador das artes plásticas na Culturgest e curador desta exposição, Michael Snow tem um percurso "muito diversificado, que vem de 1948, da área da música", tendo-se destacado como pianista de jazz.

Mas nessa altura já fazia pintura, escultura e fotografia, depois o vídeo, e a ligação entre o som e a imagem tornou-se o foco do seu trabalho.

"Os seus filmes são referências incontornáveis da cinematografia experimental contemporânea", acrescentou, sobre o criador, que já mostrou anteriormente trabalhos também no Centro Cultural de Belém, e foi alvo de uma retrospetiva na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa.

O artista plástico e músico dará um concerto de piano a solo na sexta-feira, às 21:30, por ocasião da inauguração das inaugurações das mostras, que ficam patentes até 22 de abril.