O futuro apresentado pelos cientistas que o constroem num novo portal que olha o espaço

O futuro apresentado aos cidadãos pelos cientistas que o constroem está a partir de agora disponível em português num portal online, centrado no espaço, na tecnologia e na investigação.

No endereço www.bit2geek.com, o portal, que os seus autores consideram um projeto pioneiro, junta artigos de cientistas nacionais e internacionais, que explicam questões científicas de forma acessível, seja sobre robôs exploradores de asteroides, missões à Lua, o "coração" de Marte ou as condições que levam à origem da vida num planeta.

"A ideia é ir buscar cientistas, que estão no desenho das próximas missões. Não é justo que estes conhecimentos estejam fechados em laboratórios. É importante que se fale sobre o espaço e por isso vamos pegar em coisas já anunciadas e explicá-las. Os cientistas vão explicar o que querem com as missões, que instrumentos se utilizam, e juntam fotografias originais de exploração espacial, as mesmas com as quais trabalham. Tudo de forma fiável, com rigor", disse à Lusa Nuno Duarte Chabert, antigo diretor de desenvolvimento de negócio de empresas na área de Defesa e Espaço e fundador do "bit2geek".

"Sou a Joana Neto Lima e este será o primeiro de muitos artigos que irão abordar temas relacionados com missões espaciais, a pesquisa pela vida no Universo e ciências planetárias". Começa assim um dos artigos do portal, no caso de uma cientista planetária que trabalha no Departamento de Planetologia de Habitabilidade do Centro de Astrobiologia de Torrejón de Ardoz, em Madrid.

Joana Neto Lima estuda locais da Terra que se parecem com alguns corpos celestes do sistema solar, para perceber melhor como os planetas, luas, asteroides e meteoritos evoluem e se têm condições para sustentar vida e no artigo explica o que é a missão "InSight" (Interior exploration using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transfer), uma plataforma estacionária da NASA, que pela primeira vez vai estudar o interior de Marte.

Na segunda-feira a cientista escreveu sobre a missão "Hayabusa2", dos veículos robotizados japoneses que aterraram num asteroide para colher amostras. Mas o portal tem e vai ter mais artigos de outros cientistas, como Raquel Pereira Crespo, professora e doutorada em Física Nuclear; Marta Cortesão, a doutorar-se em microbiologia do espaço no Centro Aeroespacial Alemão; o espanhol Jorge Pla-Garcia, investigador no Centro de Astrobiologia (em Espanha), associado ao Instituto de Astrobiologia da NASA e envolvido em projetos ligados a Marte.

Na lista de contribuidores do portal estão também Ruben Gonçalves, mestre em astrofísica que estuda atmosferas planetárias; Juan Ángel Vaquerizo, astrofísico em Espanha; a norte-americana Cecilia Leung, especialista em ciências planetárias; o espanhol António Molina, igualmente a "trabalhar em Marte"; ou Artur Coelho, especialista em impressão em 3D.

Nuno Chabert, disse à Lusa que "muito em breve" estarão a colaborar outros cientistas, tal como os atuais também em geral ligados à física nuclear e envolvidos em projetos de exploração espacial com sondas e veículos robotizados.

O fundador do portal adiantou que espera colaborações de entidades como o observatório europeu ALMA, cujos radiotelescópios estão instalados no deserto chileno de Atacama, e outros observatórios planetários internacionais e equipas de deteção de exoplanetas.

O "bit2geek" tem informações sobre novidades na área das tecnologias, dos "gadgets", da saúde ou da inteligência artificial. Mas Nuno Chabert assume que é o espaço que ocupa a parte principal e que é esse o grande objetivo da iniciativa.

"Estamos a viver um momento idêntico ao que os portugueses viveram há 500 anos" (as descobertas), disse à Lusa, afirmando que o futuro "é já" e exemplificando com as investigações sobre a possibilidade de vida em outros planetas, a instalação de uma base na Lua, a colonização de Marte, a mineração de asteroides.

O Luxemburgo, lembrou Chabert, anunciou em julho que criou um fundo de 200 milhões de euros para um programa de mineração espacial, reforçado recentemente com mais 100 milhões, o primeiro país da UE a fazer esse tipo de investimento. E a agência espacial norte-americana NASA fala em quatro anos até ao surgimento da nova profissão de mineiro espacial.

O responsável salienta que o portal não dá notícias, antes comenta e explica assuntos científicos e tecnológicos de forma rigorosa, acessível e em português, estando em constante atualização, com informações que por norma só aparecem em comunicados de centros de investigação. Nuno Chabert considera a iniciativa um projeto pioneiro em língua portuguesa.

E porque é importante que se fale sobre o espaço, Raquel Pereira Crespo explica num extenso artigo o que são os propulsores de efeito Hall (propulsores de iões), a nova tecnologia para futuras naves espaciais. Mas no portal fala-se também de Marte, do turismo espacial, dos exoplanetas. Ou das condições para surgir a vida, num trabalho da cientista Marta Cortesão.

Uma página para "pessoas que querem saber do espaço", porque o assunto "não está a ser abordado" e o "futuro é já".

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