Protestos sociais regressam à Tunísia após novas medidas de austeridade

Um homem morreu na noite de segunda-feira para hoje no decurso de tumultos na Tunísia, quando o país regista desde há vários dias novos protestos sociais motivados pelas medidas de austeridade, sete anos após a "revolução do jasmim".

Dezenas de pessoas foram detidas, 11 polícias ficaram feridos e diversos edifícios foram danificados no decurso dos protestos que alastraram a diversas cidades tunisinas durante a noite, referiu o ministério do Interior.

Hoje decorre a autópsia para determinar a causa da morte deste homem de 43 anos em Teboura, oeste de Tunis, onde decorreram confrontos durante a noite, segundo os porta-vozes dos ministérios da Saúde e Interior.

O ministério do Interior desmentiu que este homem tenha sido morto pela polícia, sublinhando que não exibia marcas de violência. Segundo o seu porta-voz, Khlifa Chibani, sofria de "problemas respiratórios".

"Durante a noite [de segunda-feira] não vimos protestos mas pessoas que partem coisas, roubam e agridem os tunisinos", afirmou o primeiro-ministro Youssef Chahed em declarações à rádio privada Mosaïque FM.

"Dizemos aos agressores e aos que os incitam que, para o Governo, a única solução consiste em aplicar a lei. O Governo está preparado para ouvir mas as pessoas que pretendam manifestar-se devem fazê-lo de forma pacífica", preveniu.

Estes incidentes são o reflexo do aumento do descontentamento social na Tunísia, em particular contra o aumento do IVA e das contribuições sociais, em vigor desde 01 de janeiro no âmbito de um orçamento de austeridade para 2018.

Uma manifestação convocada por um coletivo de organizações da sociedade civil reuniu hoje sem incidentes cerca de 100 pessoas no centro de Tunes, referiu a agência noticiosa France-Presse (AFP).

"A pobreza e a fome aumentaram, oh cidadão oprimido", "o povo exige a retirada da lei das finanças", foram algumas das palavras de ordem do protesto, onde predominavam os jovens.

Centenas de pessoas também se manifestaram em Regueb, no centro desfavorecido do país, perto da cidade de Sidi Bouzid, onde se iniciou em dezembro de 2010 a revolta social que assinalou o início da Primavera árabe.

O ministro das Finanças, Ridha Chalghoum, assegurou à AFP que o Executivo se comprometeu em não aumentar os produtos de primeira necessidade, e referiu-se à "obrigatoriedade de trabalhar para uma economia tunisina sã e onde o crescimento que despontou em 2017 se consolide para que seja criadora de empregos".

Os incidentes noturnos motivaram a detenção de pelo menos 44 pessoas, incluindo 16 de Kasserine, uma cidade pobre do centro do país, e 18 nos bairros populares perto de Tunes, indicou o porta-voz do ministério do interior. Diversas instalações das forças de segurança e estatais foram danificadas pelos manifestantes, acrescentou.

O mês de janeiro é tradicionalmente assinalado por uma mobilização social na Tunísia desde a revolução de 2011 que derrubou o regime de Zine El Abidine Ben Ali, e o contexto é particularmente tenso atualmente, com a aproximação das primeiras eleições municipais do pós-revolução, adiadas por diversas vezes e previstas para maio.

A última vaga de contestação social em janeiro de 2016, na sequência dos protestos desencadeados pela morte de um desempregado que se manifestava em Kasserine, alastrou por todo o país e forçou o Governo a decretar o recolher obrigatório durante vários dias.

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