A epopeia da "geladeira solidária"

Uma instituição teve a generosa ideia de colocar um frigorífico na rua para doação de alimentos a sem-abrigo. Foi roubada, horas depois. Mas reinstalada mais tarde.

A Instituição Beneficente Conceição Macedo, de Salvador, teve uma daquelas ideias que fazem acreditar que no Brasil, país tão desigual e tão injusto, ainda há esperança.

A ideia foi batizada de "Geladeira Solidária" e consistiu na doação de um frigorífico de cozinha, colocado numa movimentada rua da capital baiana, no bairro da Nazaré, para que, quem por lá passasse, pudesse doar alimentos. E quem necessitasse, como os sem abrigo das redondezas, pudesse comê-los para enganar a fome.

Publicitada com alguma pompa, pela generosidade e pela originalidade, a ideia, concretizada a uma segunda-feira à tarde, foi um sucesso, com alimentos a transbordar.

Mas logo na madrugada de terça-feira assaltantes levaram o frigorífico para casa - foi mais um daqueles momentos, infelizmente cada vez mais comuns, em que se deixa de ter esperança no Brasil, tão desigual e tão injusto.

A Instituição Beneficente Conceição Macedo ainda disponibilizou na hora caixas de esferovite com gelo, sem apelo para os criminosos, para que quem quisesse doar ir doando - mas não era a mesma coisa.

No entanto, em novo twist, menos de 24 horas depois do assalto, uma senhora anónima doou dinheiro suficiente para comprar novo frigorífico, ressuscitar a "Geladeira Solidária" e fazer acreditar que no Brasil, país tão injusto e desigual, ainda há esperança.

Vamos ver se dura.

O correspondente da TSF no Brasil, João Almeida Moreira, assina todas as quintas-feiras no site da TSF a crónica Acontece no Brasil.

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