"A esperança não está dentro das paredes da cimeira, está aqui, nas ruas"

Milhares de pessoas marcharam na capital espanhola para exigir medidas urgentes para travar o aquecimento global.

Jovens, ativistas e indígenas. Sozinhos, em grupos de amigos ou com a família completa, milhares de pessoas marcharam esta sexta-feira em Madrid com dois lemas: "Queremos que mude o sistema, não o clima" e "Sem Planeta não há futuro".

Vieram de todas as partes de Espanha - e do mundo - para exigir aos líderes políticos que estes dias se reúnem na Cimeira do Clima, medidas concretas e urgentes para travar o aquecimento global.

Beatriz tem 14 anos e veio com três amigas à manifestação. As quatro gritam palavras de ordem, aplaudem e têm todas cartazes feitos por elas onde se podem ler frases como "Não há Planeta B", "Urgência Climática" e outro com uma caricatura de Trump. "Somos os jovens quem mais vai sofrer as consequências das alterações climáticas, por isso é urgente que os políticos tomem medias", diz Beatriz.

Um pouco mais à frente, está Isabel e um grupo de amigos. Vieram de Sevilha para participar na manifestação, por todos os que não podem reivindicar os seus direitos. "Temos que tomar medidas, porque de outra forma vamos viver um desastre. Por isso estamos aqui. Por nós e pelas pessoas dos países em vias de desenvolvimento que não podem estar aqui e já estão a sofrer consequências muito sérias", diz a manifestante.

Todos querem ver Greta Thunberg, a ativista que chegou a Madrid esta sexta-feira para participar na manifestação. Mas Greta teve de sair a meio da marcha porque a multidão que se concentrava ao seu redor fez com que a polícia temesse pela sua segurança. A ativista foi levada diretamente para o palco instalado no final do percurso da manifestação, onde leu o manifesto.

"A esperança não está dentro das paredes da Cimeira do Clima, a esperança está aqui, nas ruas, convosco. Precisamos que continuem a lutar , que se oiçam as nossas vozes no sul, onde mais sofrem as consequências do aquecimento global", começou por dizer. Depois, Greta apontou o dedo aos políticos: "Os líderes não estão a fazer o seu trabalho. Estão a trair-nos e nós dizemos basta. Queiram ou não a mudança já chegou. Porque não temos outra opção".

Entre a multidão, o aplauso foi sonoro e nem o ator Javier Bardem, que discursou a seguir e que teve palavras muito duras para os negacionistas das alterações climáticas - "Os políticos têm de estar à altura, desde o estúpido Trump ao estúpido Almeida (presidente da Câmara de Madrid)" - foi capaz de arrancar uma ovação maior.

Entre os manifestantes, destaca um grupo de ativistas chilenos. Enrolados na bandeira do país e com cartazes que comparam a o Governo de Sebastián Piñera à ditadura de Pinochet, quiseram marcar presença numa Cimeira que deveria ter tido lugar no seu país. Os conflitos sociais acabaram por trazer a Cimeira para Madrid e muitos jovens decidiram vir até Madrid para se fazerem ouvir.

"Estamos aqui para lutar pelos direitos humanos de toda a gente. A justiça climática nunca se vai conseguir se não conseguimos antes uma justiça social", diz Tamara, de 17 anos.

"Os políticos têm a obrigação de ouvir as exigências da população. Todos os problemas que temos é porque não ouvem as pessoas. O nosso Governo não respeita os direitos humanos, em muitos países da América Latina parece que os direitos humanos não interessam e isso é o que estamos a reivindicar aqui", completa Joel. "A única coisa que queremos é ter um futuro e uma vida digna".

Futuro, esperança e urgência. Três das palavras mais repetidas durante a manifestação e um apelo constante: "Não há tempo a perder. Se não fizermos alguma coisa agora, pode ser tarde demais".

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