"A falta de apoio interno motivou esta guerra. Putin quer desviar atenções"

Ksenia Ashrafullina, ativista russa em Portugal, afirma à TSF que o líder da Rússia promoveu o conflito com a Ucrânia para que o mundo não olhe para a oposição interna e a perda de popularidade de que sofre no país.

Ksenia Ashrafullina, ativista russa que vive em Portugal há vários anos, defende que o conflito com a Ucrânia é uma estratégia de Vladimir Putin para "desviar atenções" da oposição interna de que é alvo. Em declarações à TSF, a ativista afirma que Putin não conta com a maioria da população e que está a orquestrar uma manobra para que o mundo não veja o que se passa dentro da Rússia.

"A falta de apoio interno motivou esta guerra. É uma maneira de desviar a atenção da oposição daquilo que é a verdadeira ameaça para ele, inventa estas guerras", declara Ksenia Ashrafullina, lembrando que um dos mais célebres opositores de Putin, Alexei Navalny, está agora em tribunal, correndo o risco de passar mais 15 anos na prisão.

Ksenia foi a responsável pela manifestação de apoio a Navalny em Lisboa que gerou uma polémica de grande dimensão, depois de a Câmara Municipal de Lisboa ter partilhado os dados dos manifestantes com a embaixada da Rússia na capital portuguesa.

Ouvida pela TSF, a ativista considera que Putin está a perder o apoio da população e que é impensável achar que o povo russo quer os territórios ucranianos.

"Não vejo como os russos iriam, de repente, pensar que precisamos de mais terras. A situação económica [na Rússia] vai de mal a pior, as pessoas sentem isso nos próprios bolsos, e o Presidente [Putin] não tem este apoio que antes tinha. Não acredito que, declarando que mais um pedaço de outro país tem de ficar dentro da Rússia, [Putin] vai entusiasmar ou inspirar as pessoas a apoiá-lo", sustenta.

Ksenia Ashrafullina acredita que a aplicação de sanções, por parte da comunidade internacional, foi a decisão acertada, mas receia o Ocidente já venha tarde.

"Vamos um bocadinho atrasados. O Putin percebeu que pode fazer o que quiser e a União Europeia e os Estados Unidos não respondem com força. Mas acho que a pressão económica sobre as carteiras das pessoas-chave do regime - porque é uma cleptocracia - vai ter algum efeito", refere.

E enquanto russa a viver em Portugal, Ksenia deixa ainda recado "a António Costa e à justiça [portuguesa]": há que esmiuçar o processo de Roman Abramovich, o empresário russo proprietário do clube de futebol inglês Chelsea, que conseguiu nacionalidade portuguesa ao abrigo da Lei da Nacionalidade para os judeus sefarditas - uma investigação que, em janeiro, foi confirmada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). "Ele é o 'oligarca-mor', a 'carteira' de Putin', e agora é cidadão português", atira.

ACOMPANHE AQUI A ESCALADA DE TENSÃO ENTRE A RÚSSIA E A UCRÂNIA

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