"A maior descoberta desde o túmulo de Tutankhamon." Encontrada cidade dourada com três mil anos no Egito

Os especialistas dizem que esta é a maior cidade já encontrada e uma das descobertas mais importantes desde a descoberta do túmulo de Tutankhamon.

Formações de tijolo, paredes quase completas e salas cheias de instrumentos utilitários da vida diária começaram a surgir aos olhos dos arqueólogos perto de Lexor, onde se situa o egípcio Vale dos Reis. Ao fim de sete meses, os investigadores continuaram a ser surpreendidos com a deteção de vários bairros, uma padaria completa com fornos e cerâmica, e distritos administrativos e residenciais.

Procurada há vários anos, esta deverá ser a maior cidade do Egito Antigo e mantinha-se soterrada na areia há milénios. Os arqueólogos envolvidos na exploração acreditam que se trata de uma das descobertas mais importantes desde que o túmulo de Tutankhamon foi desvelado, detalha o jornal The Guardian.

A "cidade dourada perdida" foi encontrada perto de Luxor, onde fica o Vale dos Reis, e, de acordo com o famoso egiptólogo Zahi Hawass, a construção terá três mil anos e remontará ao reinado de Amenhotep III, tendo continuado a ser utilizada pelos faraós Tutankhamon e Ay.

Betsy Bryan, uma professora de Arte e Arqueologia egípcia na Universidade Johns Hopkins, ouvida pelo jornal The Guardian, considerou que a revelação foi a "segunda descoberta arqueológica mais importante desde o túmulo de Tutankhamon". Junto à edificação foram também encontrados vasos coloridos de cerâmica, peças de joalharia, como anéis, amuletos com o formato de escaravelho e tijolos com os selos de Amenhotep III. O faraó herdou um império que ia do Eufrates ao Sudão, governou durante quase quatro décadas. O reinado de Amenhotep III foi marcado pela opulência e a grandeza de seus monumentos, tais como os Colossos de Mémnon (duas estátuas de pedra maciças perto de Luxor que representam o faraó e a sua mulher). O soberano morreu por volta de 1354 a.C.

A cidade era já procurada há alguns anos e várias missões falharam em encontrá-la. A equipa bem-sucedida iniciou as escavações em setembro de 2020, entre os templos de Ramsés III e de Amenhotep III, ao redor de Lexor e a 500 km de Cairo.

Os arqueólogos foram surpreendidos por "camadas arqueólogicas intactas há milhares de anos, tal como deixadas pelos antigos residentes ou como se tivessem sido usadas ontem". Os investigadores acreditam mesmo que a cidade fornecerá "um raro vislumbre da vida dos antigos egípcios, precisamente da época em que o império era mais rico", e estão confiantes de que mais revelações importantes serão feitas nos próximos tempos. Aliás, a equipa descobriu grupos de túmulos acessíveis a partir de "escadas esculpidas na rocha", uma construção semelhante às encontradas no Vale dos Reis. É possível que a escavação ainda venha a desvelar "túmulos quase intocados e cheios de tesouros", pormenorizou Betsy Bryan, citada pelo jornal The Guardian.

O Egito está a tentar recuperar o turismo do país, apostando em revitalizar a memória histórica, após anos de instabilidade política suscitada por uma revolta popular em 2011.

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