A 'Orbánização' em curso da Eslovénia à frente da UE

"Se tentarem impor valores imaginários" à Europa Central, a UE vai fracassar. O chefe do Governo esloveno, cada vez mais unha com carne com o húngaro, Viktor Orbán, sucede a Costa nos próximos seis meses.

A Eslovénia "respira em liberdade" nas palavras do primeiro-ministro Janez Janša. Mas, ao assumir a presidência do conselho deixa o aviso: tentar impor as visões liberais e valores imaginários à Europa central, pode levar ao colapso da União Europeia, "a estrada mais rápida para o fracasso". Este chefe de Governo apoiou Viktor Orbán e a lei húngara de ilegalizar aquilo que considera ser a promoção da homossexualidade junto das crianças. Aliás, o partido de Janša pode seguir o caminho do húngaro Fidesz e deixar a família do Partido Popular Europeu no Parlamento Europeu. A oposição receia que o país esteja numa espécie de Processo de 'Orbánização' Em Curso.

O chefe de Governo do país que sucede a Portugal põe as coisas nestes termos: "Não se pode julgar uma pessoa com base em valores europeus imaginários. Até há 30 anos, a Eslovénia vivia na ex-Jugoslávia e era supostamente federal. Havia cinco ou seis nações, três religiões, seis repúblicas, duas províncias autónomas e o país se desintegrou por motivos diversos, mas o último prego no caixão foi quando algumas pessoas começaram a usar critérios especiais para si mesmas, aplicando critérios duplos." E conclui: "A UE sem Europa central não é uma união europeia - será apenas uma casca e todos devemos estar cientes disso."

Janez Janša, 62 anos, queixa-se de tratamento de segunda classe por parte da Comissão Europeia aos países mais recentes e que há uns meses também apoiou publicamente as tentativas de Donald Trump de reverter os resultados das últimas eleições americanas, esteve preso durante a luta pela independência eslovena e foi, entretanto, condenado por corrupção numa sentença entretanto revogada.

Aliás, o país é considerado de "alto risco" pela Procuradora Europeia Laura Kovesi, em matéria de corrupção, quando está para receber os dois vírgula cinco mil milhões do fundo de recuperação e resiliência, que vai ser posto em prática durante a presidência eslovena, além de apostar na integração europeia dos Balcãs ocidentais, com cimeira marcada para 6 de outubro.

Para o primeiro-ministro deste país com dois milhões de habitantes, e em funções desde março do ano passado, a diferença fundamental não é entre democracias liberais e iliberais, mas entre democracia e tecnocracia e burocracia.

Milhares de pessoas têm saído em protesto às ruas de Ljubljana, nos últimos meses, em protesto contra a suspensão do financiamento da agência pública de notícias, STA, as restrições à liberdade de imprensa e independência dos juízes, disseminação do discurso do ódio e má gestão da pandemia.

O governo do SDS [Partido Democrático Esloveno] embarcou numa campanha multifacetada para remodelar o cenário dos média em favor de uma narrativa pró-governamental, diz um relatório da Media Freedom Rapid Response, um grupo de organizações de liberdade de imprensa e grupos de jornalismo. "Além disso, um influxo de capital húngaro ligado ao partido Fidesz de Orbán está a ser usado para apoiar os média pró-governo na Eslovénia, acrescentam.

Janša é conhecido pelas "guerras no Twitter" contra os meios de comunicação e jornalistas individuais - e por acreditar que luta contra um "estado profundo" (deep state) de uma esquerda entrincheirada.

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