"A solução para a Amazónia passa pela educação dos agricultores"

Em entrevista à TSF, o investigador brasileiro Carlos Nobre, especialista em florestas tropicais, defende uma mudança na forma como o Brasil gere a Amazónia. A educação dos agricultores e o uso da tecnologia são a chave.

O Brasil tem de mudar a forma como olha para a Amazónia. Um dos maiores especialistas brasileiros na floresta tropical sugere que se use os meios tecnológicos para explorar o modelo agroalimentar.

Em entrevista à TSF, o investigador Carlos Nobre vê com muita preocupação o aumento da desflorestação e dos incêndios na maior floresta tropical do mundo, rica num "ativo económico infinito": a biodiversidade.

"O maior valor económico que existe nas florestas tropicais não é a madeira, não é substituir a floresta pela pecuária ou por agricultura. O maior valor é a biodiversidade, que tem um valor económico infinito. Precisamos de aprender a aproveitar esse ativo biológico na floresta mais diversa do mundo, a Amazónia e nas outras florestas tropicais. Nunca desenvolvemos isso. Os portugueses quando aqui chegaram tiraram a mata atlântica e substituíram por cana de açúcar. Temos que mudar a maneira como olhamos para a Amazónia", explica Carlos Nobre.

O investigador considera que é essencial convencer os milhões de agricultores a utilizarem a tecnologia, temendo que o Brasil seja muito penalizado a todos os níveis, caso isso não seja feito.

"Se o Brasil não alterar a sua trajetória, o país corre o risco de perder essa conquista arduamente conquistada, que é ser o segundo maior exportador de produtos agrícolas do mundo e o Brasil corre o risco de passar a imagem do país que não protege a Amazónia", frisa.

Questionado sobre a como se pode terminar com as queimadas, Carlos Nobre defende que é preciso educar os agricultores e recorrer à tecnologia. "A agricultura moderna, inclusive no Brasil, não usa mais a queimada. Por exemplo, a cana de açucar no sudeste do Brasil, secularmente usava a queimada, e é perfeitamente possível ter um pasto muito bem cuidado", disse.

Carlos Nobre alerta ainda que a única solução para combater a desflorestação e as queimadas ilegais é enviar os militares para o terreno.

"A única solução a curto prazo é os militares irem para as regiões dos incêndios e desflorestação ilegal. Isto atingiu uma dimensão tão grande e o discurso político incentivou tanto esse crime ilegal, que a única solução a curto prazo, porque até outubro são meses de incêndios, é uma ação dos militares, porque os órgãos do controlo ambiental estão muito enfraquecidos para tomar uma decisão", conclui.

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