"A Unesco precisa de maior centralidade na ONU"

O Embaixador de Portugal na Unesco afirma que a organização nem sempre tem os recursos necessários para poder exercer o seu trabalho. Passam, nesta quinta-feira, 75 anos desde que foi oficialmente fundada.

António Sampaio da Nóvoa defende que a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura precisa de mais visibilidade na ONU, sobretudo em matéria de educação. No entanto, faz um balanço positivo do trabalho das últimas décadas.

Para António Sampaio da Nóvoa é inquestionável a importância da Unesco, mas o embaixador afirma que a organização ainda não conseguiu conquistar o lugar que merece nas Nações Unidas. "A Unesco precisa de uma maior centralidade dentro das Nações Unidas. A Unesco tem tido um papel muito importante, papel que tem sido sistematicamente referido pelo secretário-geral António Guterres que tem tentado criar com a Unesco uma relação mais forte. Mas essa relação precisa ser mais consolidada, nomeadamente no que diz respeito aos temas da educação que são a primeira missão da Unesco. A Unesco é, no quadro da agenda 2030 e dos grandes acordos internacionais, a responsável pela coordenação dos trabalhos na área da educação no mundo, mas muitas vezes não tem os meios, nem os recursos ou condições para o fazer".

O embaixador de Portugal na Unesco sublinha o papel da organização no combate às fragilidades na educação e desigualdades entre países, expostas pela pandemia. "A Unesco foi a instituição no mundo que de forma mais sistemática ao longo da pandemia foi publicando dados, fazendo estatísticas, relatórios sobre a situação dramática que se estava a viver do ponto de vista da área da educação. Mobilizou muitas reuniões, muitos ministros para chamar a atenção para isto, o que deu à Unesco um papel muito significativo no quadro do que é o combate pela educação e no combate às desigualdades que se cavaram ainda mais durante a pandemia na área da educação".

António Sampaio da Nóvoa, não tem dúvidas de que 75 anos depois a Unesco faz mais sentido do que nunca. "Os grandes temas que temos pela frente na construção de uma humanidade comum são a educação, a ciência e a cultura. Estes são temas para os quais a Unesco foi criada enquanto agência das Nações Unidas e ela tem um papel essencial na construção desta humanidade comum". Questionado sobre se a organização tem conseguido cumprir a missão a que se propôs, Sampaio da Nóvoa fala "num copo meio cheio, copo meio vazio. A Unesco tem sido uma instituição extraordinária nestes 75 anos de vida, com momentos altos e outros mais difíceis, mas o balanço global do trabalho da Unesco é certamente muito positivo".

Na Carta das Nações Unidas que entrou em vigor a 16 de novembro de 1945, o artigo 57º prevê a criação de uma agência especializada nos domínios da educação e cultura a ser denominada Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura. O dia 4 de novembro de 1946 marca o início das celebrações do aniversário da Unesco, uma vez que é o dia em que o Ato Constitutivo entrou em vigor.

Portugal aderiu 21 anos mais tarde.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de