A vencedora foi a abstenção. A noite de eleições autárquicas em França

A crise sanitária esmagou os desafios políticos da segunda volta das eleições autárquicas. A taxa de abstenção subiu para perto de 60%. A França nunca registara uma tão baixa participação em autárquicas.

A segunda volta das eleições autárquicas tinha sido adiada. Durantes algumas semanas a data era incerta, mas acabaram por ser, finalmente, confirmadas para 28 de junho. Passados mais de três meses de espera, devido à epidemia do Covid-19, o escrutínio decorreu este domingo em 4820 localidades que ainda não tinham conseguido eleger autarcas na primeira volta, a 15 de março.

A crise sanitária parece ter, uma vez mais, esmagado os desafios políticos. A taxa de abstenção subiu para cerca de 60%. A França nunca registou até este domingo uma tão baixa participação em eleições autárquicas.

Emmanuel Macron mostrou-se preocupado "pela fraca participação nas eleições autárquicas", que diz não ser "uma boa notícia".

Comparando com os resultados da primeira volta, que registaram uma abstenção de 44,6%, a taxa de abstenção subiu em 15 pontos percentuais este domingo.

O movimento ecológico deu um passo em frente, ao conquistar grandes cidades. "Há uma nova esperança quanto a este projeto", "uma nova onda verde" que "se levanta em França", apontam os militantes do partido Os Verdes, que alcança resultados históricos. O movimento ecológico venceu em Lyon, Marselha, Bordéus, Estrasburgo, Gronoble, Poitiers, Besançon ou ainda Tours.

Já o grande perdedor do escrutínio foi o partido criado em 2016 pelo Presidente francês, A República Em Marcha. Apesar das alianças, os candidatos d"A República Em Marcha não conquistaram o eleitorado. "Esta noite estamos dececionados", reagiu Sibeth Ndiaye, porta-voz do Governo.

O único contentamento do partido foi a cidade de Le Havre, de Édouard Philippe, que venceu por 59% dos votos. Um resultado "limpo", como descreveu o chefe do Governo francês. Emmanuel Macron felicitou Édouard Philippe e irá recebê-lo esta manhã no Eliseu.

Na sua última declaração ao país, o chefe de Estado comprometeu-se a apresentar um plano detalhado para os últimos dois anos do mandato. Este projeto deve passar por uma mudança governamental, nomeadamente, pela substituição de Édouard Philippe, cuja popularidade é superior à do Presidente francês, Emmanuel Macron.

Quanto aos Os Republicanos, graças às alianças, conquistaram um grande número de cidades. O partido de direita perde em Paris, Marselha, Lyon ou Bordéus, mas mantém-se na liderança de cidades como Nice ou Limoges.

Depois de uma derrota nas eleições presidenciais e europeias, nas quais o Partido Socialista não passou da barra dos 6%, as autárquicas marcam um regresso do PS. Na capital, a autarca socialista Anne Hidalgo foi reeleita com 50,2% dos votos.

O secretário do partido, Olivier Faure, mostrou-se feliz pelo "grande impulso que se deu em todo o país. Este impulso mostra que os socialistas e os ecologistas se reencontraram e estão a conquistar formidáveis vitórias".

Do outro lado do espetro político, a União Nacional, partido de extrema-direita dirigido por Marine Le Pen, conquista a primeira cidade com mais de 100.000 habitantes, em Perpignan.

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