A Venezuela de Guaidó. Pouco ou nada mudou no último ano

Há um ano o mundo passou a conhecer Juan Guaidó. O líder da assembleia nacional da Venezuela proclamava-se chefe de estado interino.

Aos 35 anos tornou-se no mais jovem venezuelano a assumir a presidência da assembleia nacional, o único órgão institucional sob o controlo da oposição ao regime chavista. Guaidó apresentava-se como uma lufada de ar fresco e concentrou a esperança de milhões de venezuelanos.

A 10 de janeiro de 2019, Nicolás Maduro iniciou o segundo mandato de seis anos como Presidente, após uma vitória eleitoral cuja legitimidade não foi reconhecida nem pela oposição, nem pela comunidade internacional. Como pano de fundo destes dois acontecimentos estava um país que vive ainda uma das mais graves crises das últimas décadas.

Um ano depois, muita coisa aconteceu na Venezuela mas pouco ou nada mudou.

A 23 de janeiro de 2019 e nos meses que se seguiram Guaidó era a estrela. Cortejado por todos e apoiado pelos Estados Unidos, Europa e vários países latino americanos, muitos venezuelanos acreditaram que era ele que ia mudar o país. Nicolas Maduro estava acabado.

Os dias, as semanas e meses passaram sem que o sucessor de Hugo Chavez desse qualquer sinal de cedência. Maduro colocou o exército nas fronteiras para impedir a entrada de ajuda humanitária ao país, aceitou a presença de soldados russos em solo venezuelano e usou a assembleia constituinte para levantar a imunidade parlamentar a Guaidó.

Em todas as ações a equipa do presidente interino foi prejudicada pela inexperiência, ingenuidade e deslumbramento com a repentina posição de força. A tentativa fracassada de golpe de estado a 30 de abril do ano passado foi um momento decisivo. Guaidó e alguns militares, encorajados pelos Estados Unidos, saíram para as ruas da capital mas não conseguiram alterar a situação no país. Ao certo ninguém sabe o que aconteceu e porque Guaidó pensou que podia derrubar Maduro com a ajuda dos militares. O único sucesso desse dia foi a libertação de Leopoldo Lopez reconhecido, até ao aparecimento de Guaidó, como líder da oposição ao regime.

Um ano depois, Lopez continua refugiado na embaixada espanhola em Caracas.

Já em 2020 a polícia venezuelana impediu Juan Guaidó de entrar na Assembleia Nacional, onde seria reeleito presidente. Os deputados chavistas aproveitaram o momento para elegerem Luís Parra como presidente do parlamento. O gesto não foi aceite por Guaidó que não reconheceu a nova direção e presidiu a uma sessão paralela em que foi reeleito.

No inicio da semana o presidente interino reuniu-se pela primeira vez com Mike Pompeo. Na reunião, que decorreu na Colômbia, o secretário de estado norte-americano reafirmou o apoio à luta dos venezuelanos.

"Quero que o povo venezuelano saiba que tem um presidente que é um grande líder e que quer levar o país na direção certa - em direção à liberdade, democracia, e prosperidade económica," afirmou Pompeo acrescentado que "o povo deve saber que os países do mundo todo - na América Latina, na Europa e nos Estados Unidos - os países e os povos democráticos estão ao vosso lado."

Depois de Bogotá Juan Guaidó partiu para a Europa onde está a defender medidas mais duras contra o regime. O presidente interino, reconhecido por mais de 50 países, quer um embargo à compra de ouro que diz estar manchado com o sangue dos venezuelanos.

Enquanto Juan Guaidó viaja fora do país, em Caracas, na quarta-feira, agentes dos serviços secretos forçaram a entrada no escritório dele. Ninguém sabe ao certo o que foram fazer mas os colaboradores de Guaidó temiam que eles aproveitassem para colocar provas comprometedoras para o presidente interino.

Outras Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de