Afeganistão: CIA alertou para eventual presença de civis pouco antes de ataque de drone

Informação foi avançada pela cadeia de televisão CNN, que cita três fontes conhecedoras do assunto.

A CIA alertou para a possível presença de civis, incluindo menores, minutos antes do ataque dos Estados Unidos com um avião não tripulado drone) em Cabul, na qual morreram 10 pessoas.

A informação foi avançada pela cadeia de televisão CNN, que cita três fontes conhecedoras do assunto. De acordo com o canal de televisão, responsáveis dos serviços de informações acompanharam durante oito horas, em 29 de agosto, os movimentos do condutor da viatura atacada, Ezmarai Ahmadi, um trabalhador de uma ONG norte-americana, por ter tido um breve contacto com várias pessoas, no que os Estados Unidos acreditavam ser uma casa segura do grupo terrorista Estado Islâmico (EI).

As suspeitas contra Ahmadi fizeram com que os comandantes militares tivessem interpretado mal os seus movimentos: viram carregar garrafas de água na parte detrás do veículo pensando que eram explosivos.

Além disso, acreditaram que uma segunda explosão depois de o 'drone' ter atacado o seu carro tinha sido provocada pelo que consideravam ser explosivos na parte traseira do veículo, quando na realidade era provavelmente um tanque de gás propano atrás da viatura estacionada, disse a CNN.

O alerta da CIA chegou demasiado tarde, segundos antes do míssil disparado pelo 'drone' norte-americano ter atingido a viatura, provocando a morte a 10 civis, entre os quais sete crianças.

Contactada pela CNN, a CIA escusou-se a comentar a informação, tal como o Comando Central (CENTCOM) das Forças Armadas norte-americanas. Nas semanas seguintes ao bombardeio, o Pentágono insistiu que tinha sido um ataque "justificado" contra um objetivo terrorista conformado, sem descartar que pudesse haver algum civil morto.

No entanto, na sexta-feira, o general Kenneth McKenzie, líder do Comando Central das forças norte-americanas no Afeganistão, reconheceu o "erro trágico" e assumiu "responsabilidade total".

O ataque aconteceu três dias depois de 13 militares norte-americanos terem sido mortos e 18 ficado feridos num atentado do Estado Islâmico no aeroporto de Cabul, onde houve dezenas de vítimas afegãs.

Familiares de vítimas exigem compensação

Para os EUA ou para qualquer país seguro. É o pedido da família afegã que foi atingida, por engano, por um ataque com um drone dos EUA.

Em declarações ao jornal Washington Post, os familiares das vítimas exigem uma compensação e querem ajuda para sair do Afeganistão. Afirmam que todos cometem erros e que os EUA não podem devolver os familiares mortos, mas podem retirá-los do país.

Os familiares das vítimas alegam que o ataque tornou ainda mais urgente a saída do Afeganistão porque o destaque dado pela comunicação social ao caso fez com que todos agora saibam que uma das vítimas trabalhava para uma organização norte-americana.

Os Estados Unidos concluíram em 30 de agosto a retirada dos seus nacionais e colaboradores afegãos do país e das tropas depois de 20 anos no Afeganistão.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG

Patrocinado

Apoio de