Ajuda chegou tarde. Motoristas dizem que atravessar canal da Mancha não apaga "condições desumanas"

Para a Antram, o Governo agiu tarde e nem a resolução do problema apaga "as condições desumanas" a que os motoristas de pesados estiveram sujeitos, nem o afastamento das famílias na noite e dia de Natal.

Mais de metade dos motoristas portugueses retidos em Dover já conseguiram sair de território. André Matias de Almeida, presidente da Antram, revelou que permanecem em Inglaterra menos de 200 motoristas portugueses, mas ainda é necessário apurar responsabilidades no caso da retenção.

"O número de motoristas retidos desceu já para menos de metade, portanto nós acreditamos que o processo está a decorrer com normalidade", assinala André Matias de Almeida. O presidente da Associação dos Transportadores Rodoviários de Mercadorias considera que "o desfoque" causado pela resolução do problema não vai "diminuir nem o prejuízo das empresas - por um lado -, que é de vários milhões de euros, nem o impacto humano nestes motoristas, que não passaram o Natal com a sua família, sem qualquer razão científica ou médica que justificasse esta paragem, e muito menos que justificasse a inércia política, quer dos agentes políticos internacionais, quer dos nacionais, no apoio aos motoristas no local".

Para o presidente da Antram, a ajuda disponibilizada pelo Governo português foi tardia. "A partir do momento em que não se agiu imediatamente, na manhã de terça-feira, toda a ajuda chegaria tarde, porque no dia seguinte seria dia 24, portanto não conseguiríamos nunca agir a tempo sem ajuda governamental." André Matias de Almeida também aponta que o prejuízo de não passar o Natal com a família não é recuperável, e que os motoristas estiveram sujeitos a "condições desumanas".

Milhares de camiões conseguiram entrar no continente europeu desde a Grã-Bretanha, depois de os motoristas terem sido submetidos a testes rápidos para detetar o coronavírus, embora ainda estejam outros milhares em fila à espera, anunciou o Governo britânico.

Na noite de sexta-feira, dia de Natal, o ministro dos Transportes britânico, Grant Shapps, destacou na rede social 'Twitter' que 4500 camiões já tinham cruzado o Canal da Mancha desde quarta-feira, após terem sido realizados cerca de 10 mil testes, dos quais apenas 24 tiveram resultados positivos (0,24%).

No entanto, de acordo com fontes do Ministério da Defesa citadas pelo jornal The Sun, três mil veículos ainda estão retidos à espera de atravessar o canal e seu número aumenta "a cada hora" com novos camiões a chegarem ao condado de Kent, onde fica localizado o porto de Dover, onde estavam também retidos camionistas portugueses.

Perto de 1100 militares foram destacados para a zona para realizar os testes de despiste do novo coronavírus, sem os quais os motoristas não têm permissão para cruzar o canal e entrar em território francês.

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