Aldeias antigas e monumentos à vista. Falta de água criou "turismo de seca" em Espanha

A descida dos níveis de água nas albufeiras por toda a Espanha deixou à vista antigas aldeias, monumentos e construções que estão habitualmente submersas.

A falta de água em barragens e albufeiras espanholas parou uma central hidroelétrica na Catalunha esta semana e deixou a descoberto construções habitualmente submersas, criando um "turismo de seca" em várias regiões, para desespero de algumas populações e autarcas.

A paragem total da central hidroelétrica na barragem de Riab, Lleida, foi definitiva na quarta-feira, anunciou a empresa que tem a cargo a sua gestão, por os níveis de água terem caído a níveis de 6,78% da capacidade total.

A empresa Acciona diz que a paragem completa das duas turbinas de Rialb é inédita, pelo menos desde 2009, quando passou a ter a cargo a infraestrutura.

Há um ano, os níveis da barragem estavam em 49%.

No total da região, as reservas de água nas albufeiras geridas pela Agência Catalã da Água estão em 39% da capacidade total (há um ano estavam em 74,2%).

No conjunto do país, as reservas de água nas albufeiras estão em 36,9% da capacidade total, o nível mais baixo desde 1995, e têm estado a cair, consecutivamente, todas as semanas, desde 10 de maio, segundo os dados oficiais mais recentes.

A diminuição da água armazenada em albufeiras fez cair os níveis de produção de eletricidade em centrais hidráulicas espanholas e tem obrigado a aumentar o recurso a outras fontes para gerar energia, como o gás, cujo preço tem disparado nos últimos meses, refletindo-se tudo isto na subida dos preços da luz este verão.

Entre 1 de janeiro e 15 de agosto, a produção de eletricidade em centrais hidráulicas em Espanha registou o valor mais baixo desde 1992 e foi metade da média anual para estes meses do ano.

No ano passado, por exemplo, as centrais hidroelétricas espanholas tinham gerado o dobro de energia do que aconteceu este ano (22.6000 gigawatts por hora contra 11.400 este ano), segundo dados oficiais publicados esta semana pelo jornal El Pais.

A descida dos níveis de água nas albufeiras por toda a Espanha deixou também à vista antigas aldeias, monumentos e construções que estão habitualmente submersas, o que tem atraído turistas a locais que por norma não têm motivos de atração para tantos visitantes.

Na Andaluzia, no sul de Espanha, a descida das águas na maior albufeira da região (Iznájar) para 18% da capacidade total permite agora ver uma necrópole ibera e restos romanos e estão a organizar-se visitas guiadas que, para já, estão a ser um êxito entre turistas e população das imediações, segundo noticiou a agência de notícias EFE.

Ainda na Andaluzia, na província de Córdoba, a descida das águas permitiu retomar a investigação académica num sítio arqueológico dos séculos VI a II antes de Cristo, descoberto em 2017, mas normalmente submerso na albufeira da Serra Boyera, que está neste momento a 12% da capacidade.

Neste caso, não há turistas e só elementos da Universidade de Granada podem aceder ao local.

Mas nem sempre o "turismo de seca" é bem-vindo ou tem efeitos positivos, como aconteceu em Vilanova de Sau, perto de Barcelona, na Catalunha.

Neste caso, o município acabou por restringir o acesso ao lago artificial de Sau, colapsado pelo número de turistas que queriam visitar uma igreja submersa desde 1962, resultado daquilo que o presidente da câmara local, Joan Riera, designou como "feito Instagram", em declarações à EFE.

"Não temos de saudar esta afluência de turistas porque é consequência de um desastre natural que está a afetar muito a nossa região", afirmou o autarca.

Além das "atitudes não cívicas", o presidente da câmara referiu as "dificuldades de acesso dos moradores" às suas próprias casas, retidos durante mais e uma hora nos acessos à povoação.

"É bom haver turismo e que admirem a povoação e o vale, mas também é verdade que tanto turismo nos prejudica", afirmou, dando ainda como exemplo a acumulação de lixo e o "grande gasto" que isso gerou ao município.

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