Alemanha expulsa diplomatas russos por falta de cooperação

Nova crise diplomática entre Alemanha e Rússia. Dois diplomatas russos são acusados pelo Ministério Público alemão de falta de cooperação na investigação de um homicídio, a Rússia já reagiu avisando que tomará medidas.

A Alemanha expulsou esta quarta-feira "com efeitos imediatos" dois diplomatas russos, acusando a Rússia de não cooperar suficientemente com a investigação do assassínio em Berlim de um georgiano, em que o principal suspeito é um russo.

A Rússia reagiu rapidamente, considerando a decisão "hostil e sem fundamento" e afirmando que tomará medidas retaliatórias.

As expulsões foram anunciadas depois de o Ministério Público federal alemão ter chamado a si a investigação do crime, cometido em agosto, dado que primeiras conclusões apontam para que tenha sido ordenado pelo governo da Rússia ou da república russa da Chechénia.

O Ministério Público federal é a instância competente em matéria de espionagem. Tornike K., membro da minoria chechena da Geórgia, foi assassinado em pleno dia "a mando de entidades estatais ou da Federação Russa ou da República Autónoma da Chechénia".

"O Ministério dos Negócios Estrangeiros declarou hoje dois funcionários da embaixada da Rússia em Berlim 'persona non gratae' com efeitos imediatos", anunciou Berlim num comunicado.

"Com esta medida, o governo federal reage ao facto de as autoridades russas, apesar dos pedidos repetidos, insistentes e de alto nível, não terem cooperado suficientemente no inquérito", acrescenta o texto.

A questão foi nomeadamente abordada em novembro num encontro entre o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros alemão, Andreas Michaelis, e o embaixador russo na Alemanha, Serguei Netshaiev.

As expulsões serão seguidas de "outras medidas" em função da evolução do inquérito, segundo o governo.

A Rússia nega qualquer envolvimento no caso e, hoje, reagiu ao anúncio de expulsão prometendo responder à decisão "hostil e sem fundamento" da Alemanha.

"E inadmissível uma abordagem politizada num inquérito. Somos obrigados a tomar um conjunto de medidas de retaliação", afirmou um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo.

O georgiano de 40 anos foi morto a 23 de agosto, em pleno dia, num jardim da capital alemã, com três tiros disparados com uma arma com silenciador.

O suspeito identificado perto do local do crime, um russo, está desde então detido e recusa falar.

O suspeito tinha consigo documentos de identificação em nome de Vadim Sokolov, de 49 anos, nome que não consta das bases de dados russas.

Será uma identidade falsa de Vadim Krasikov, de 54 anos, alvo de um mandado de captura internacional emitido pela justiça russa pelo homicídio de um empresário russo em 2013.

Este caso abre uma nova crise diplomática com a Rússia, depois da crise desencadeada pela envenenamento do ex-espião russo Serguei Skripal em Inglaterra em março de 2018.

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