"Algo extraordinário." Português descreve o que está a ser feito contra coronavírus

João Pedrosa decidiu ficar na cidade chinesa que é o epicentro do novo coronavírus. Agora, escreve no site da TSF sobre o estranho dia a dia em Wuhan.

Faz hoje três semanas que foi decretado o "bloqueio" de Wuhan. Sim, 3 semanas! Há 21 dias que uma cidade com quase 11 milhões de habitantes (mais do que um Portugal inteiro) suspendeu todos os transportes públicos, aéreos, terrestres e marítimos(*). Há 21 dias que toda a população de Wuhan se encerrou nas suas casas.

Confesso que estou a assistir a algo com uma dimensão tal que nunca pensei assistir. Bem sei que os números de casos e mortes são assustadores e um só morto já é um número muito elevado. Mas o que tem estado a ser feito é algo excecional.

Entendo que o conjunto muito vigoroso de ações tomadas pelo governo para "bloquear" Wuhan, e logo de seguida a sua província de Hubei, tiveram como principal propósito evitar a propagação da epidemia a nível nacional, mas também a nível mundial. Entendo que o número de infeções é, provavelmente, significativamente menor do que teria sido, caso contrário.

Só um país com o potencial da China poderia fazer tal. Dificilmente haverá outro país no mundo com essa capacidade. Não sei o que aconteceria se tal acontecesse noutra localidade do planeta.

Já perdi a conta ao número de hospitais e clínicas que foram construídos ou criados em menos de duas semanas. Já perdi a conta ao número de médicos e enfermeiros que foram mobilizados.

Hoje, outros 2.600 militares vieram para a cidade. Isto assinala o terceiro destacamento de médicos militares no esforço para conter o surto. O pessoal agora enviado ficará encarregado dos pacientes do Hospital Taikangtongji (que vai abrir 860 camas) e do Hospital Provincial de Mulheres e Crianças de Hubei (que vai abrir 700 camas).

Mas o que não quero deixar de assinalar é a capacidade de resistência e perseverança deste povo. Há 21 dias que 10.600.000 pessoas estão "enclausuradas" nas suas casas e praticamente só saem para ir ao supermercado. Famílias inteiras que estão dispostas a continuar e a manter esse espírito de sacrifício.

Repito, algo de extraordinário está a acontecer e que eu nunca pensei que fosse possível.

Todos estão mobilizados para levar de vencida esta batalha. Todos estão mobilizados por Wuhan, por Hubei e pela China. Mas também, no meu entendimento, todos estão mobilizados pelo mundo.

Este não é um problema local. Este não é um problema chinês. Este é um problema mundial.

(*) Wuhan apesar de ser uma cidade do interior é atravessada pelo rio Yangtze, o terceiro maior do mundo e o maior da Ásia. Wuhan dispõe de porto "marítimo" e o rio é navegável até à sua foz, em Xangai, que fica a 800 quilómetros.

João Pedrosa, em Wuhan

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